
Vieram mostrar solidariedade para com os 32 jornalistas do jornal «O Primeiro de Janeiro». Honório Novo, deputado do PCP, esteve esta segunda-feira à porta do centenário diário do Porto para falar com os jornalistas: «A delegação do PCP veio cá para se inteirar da situação. Não consigo entender como é que num estado de direito e 30 anos depois do 25 de Abril se pode assistir a este tipo de situação. É inaceitável».
A delegação do PCP acredita que o despedimento colectivo é uma ilegalidade porque considera não ter havido, como afirma a carta de despedimento, uma «extinção do posto de trabalho». «Isto é um pretenso despedimento colectivo, é uma situação ilegal porque os jornalistas foram substituídos, os postos de trabalho continuam a existir», explicou o deputado.
O comunista não poupou críticas ao proprietário do jornal, Eduardo Costa, afirmando que não compreende como um empresário, que beneficia de subsídios estatais, pode tomar este tipo de atitudes. «Esta empresa é titulada por um empresário referenciado pelo primeiro-ministro e com várias candidaturas ao QREN aprovadas. Há aqui qualquer coisa que não bate certo», explicou.
PCP questiona Governo
O PCP vai questionar o Governo relativamente a estas incongruências, nomeadamente o Ministério do Trabalho e o das Finanças. «O Governo tem que tomar uma atitude».
Jornalistas do «Janeiro» avançam para tribunal
Os jornalistas por sua vez sentem-se atraiçoados: «A directora agiu de má-fé connosco e está neste complô contra os jornalistas. Prometeu que daqui a um mês nos integraria noutro projecto, mas, se nós esperássemos um mês para reivindicar, já não teria a mesma força», acrescentou Carla Teixeira, uma das jornalistas demitidas.
Enquanto Honório Novo falava eram muitos os jornalistas que desabafavam sobre as condições em que trabalhavam. «Não há condições de trabalho nem de segurança. Não temos extintores, não temos computadores, temos inundações frequentes entre muitas outras coisas», explicou a jornalista.
«Novo» Primeiro de Janeiro
São muitas as situações que indignam os jornalistas demitidos. De acordo com os trabalhadores enquanto ainda podiam entrar nas instalações do jornal verificaram que todas as «passwords» tinham sido alteradas e que não tinham acesso aos emails da empresa.
«Tentei mandar um mail às minha fontes para explicar que já não trabalhava para o jornal, mas já não consegui ter acesso ao email», confirmou a jornalista. Carla apelou também à solidariedade de toda a cidade do Porto. «Pedimos a toda a cidade que nos apoie e nos ajude a continuar a luta».
Os jornalistas que não receberam a carta de despedimento vão voltar a reunir-se na terça-feira por volta das 14h00 à porta do jornal.
Bloco marcará presença
«Este caso é paradigmático de como algumas empresas, recorrendo à mentira, à falsidade e à ilegalidade, usam todos os meios para se poderem descartar dos seus trabalhadores como se de meros objectos sem qualquer valor se tratasse», pode ler-se no comunicado divulgado pelo Bloco de Esquerda.
Considerando que estes casos só são possíveis graças ao «clima de impunidade que as empresas sentem no meio da maré neoliberal consubstanciada nos ataques desferidos pelo actual governo aos direitos laborais», os bloquistas condenam ainda a ausência de capacidade de acção da Autoridade para as Condições de Trabalho.
«O Bloco de Esquerda expressa publicamente o seu incondicional apoio aos jornalistas e outros trabalhadores despedidos e anuncia a sua disposição de contribuir, com todos os meios legais ao seu alcance, para a reversão deste despedimento colectivo», concluem.