José Paulo Bernardo Pinto de Sousa, primo direito de José Sócrates, foi notificado para ser ouvido no processo Freeport, no qual se investigam os crimes de corrupção e tráfico de influências para acto ilícito, que poderão explicar a aprovação do centro comercial de Alcochete.

Este familiar de José Sócrates foi identificado por dois dos seis arguidos do processo, em contactos com a TVI, como sendo o intermediário de pagamentos corruptos ao então ministro do ambiente, conforme avançámos no dia 4 de Setembro

«Eu própria falei com dois dos arguidos do processo Freeport, que pediram anonimato, confrontei-os com as fotografias que mostramos e os dois identificaram-no de imediato como sendo José Paulo Bernardo Pinto de Sousa. Um deles garantiu-me mesmo que José Paulo Bernardo é o Gordo referido nos emails e o intermediário dos supostos pagamentos corruptos denunciado no DVD», refere a jornalista Ana Leal.

Nessa reportagem, a TVI divulgou algumas das mensagens de correio electrónico em que um indivíduo identificado como «O Gordo» é associado a transferências de dinheiro .

Assim, a 15 de Junho de 2002, Charles Smith escreve a Gary Russel, administrador da Freeport em Londres, dizendo: «Estou preocupado que o protocolo não seja assinado até poder dizer ao gordo que foi feita uma transferência».

No dia 31 de Maio de 2002, insiste com o mesmo interlocutor: «O gordo irá tratar da questão da publicação da declaração de impacto ambiental. Ele pode também auxiliar na questão da carta da Câmara Municipal de Alcochete sobre a expropriação dos terrenos, se necessário. O estudo de impacto ambiental permite 3200 lugares. Segundo o Gordo, o número é relevante e ficou um pouco surpreendido por a C.M. Alcochete pedir mais. Devíamos designar imediatamente um engenheiro para estabelecer a ligação com a C.M. Alcochete relativamente a uma solução aceitável. Como segurança, o arquitecto e o Gordo irão trabalhar nos bastidores a fim de assegurar que tal aconteça.»

No dia 18 de Maio de 2002, contudo, em vez de «Gordo» Charles Smith refere explicitamente a existência de um «Bernardo»: «Temos que pedir ao Freeport para enviar 80.000 libras ainda esta semana para podermos pagar ao pinochio algo no dia 31 de Maio, conforme eu combinei com o Bernardo, para não arriscar nada».

Os dois arguidos ouvidos pela TVI identificaram ainda José Paulo Bernardo Pinto de Sousa como sendo o primo de José Sócrates a quem Charles Smith se refere como intermediário de pagamentos em dinheiro.