No início do ano letivo qual deve ser a alimentação dos alunos? Do pequeno-almoço aos lanches, os pais devem ter em atenção as necessidades nutricionais, mas também as calorias. De acordo com um estudo recente, na hora de preparar o lanche 75% das famílias põe a vontade dos filhos à frente de outras preocupações. Só 16% se preocupam em preparar snacks de baixo valor calórico. O ponto positivo é que a maioria das famílias, 82%, toma o pequeno-almoço e prepara lanches em casa. Água e fruta estão entre os alimentos mais escolhidos, mas falta ainda incluir vegetais e frutos secos, indica a nutricionista Ana Filipa Baião, em entrevista ao “Diário da Manhã”, na TVI.
 
“É importante que a criança que passou entre 10 a 12 horas em descanso noturno, onde foi consumindo algumas das reservas que já existiam, que no momento em que acorda, passados 30, 40 minutos no máximo, exista a ingesta do pequeno-almoço. (…) E aqui há exemplos muito clássicos, nomeadamente o pão. O pão, com uma proteína animal, nomeadamente o iogurte ou uma bebida vegetal (…). O pão que seja um pão de alto valor nutritivo”, começou por dizer a especialista.
 
Ceder aos pedidos dos mais novos nem sempre é boa pratica porque gostam sempre de alimentos mais açucarados e com mais calorias. Ana Filipa Baião prefere alimentos mais saudáveis como fruta, bebidas vegetais ou iogurtes naturais.
 

“Até aqui existiam alimentos ou refeições muito calóricas. Agora queremos que os pais tenham atenção ao que fornecem em termos de nutrientes no pequeno-almoço. Há uma inversão. Até aqui existia o consumo de pães brancos, pães altamente processados. Agora há a preocupação em procurar um pão mais caseiro, com mais fibra, mais escuro. De facto este é o exemplo mais tradicional: o pão, o iogurte, a pecinha de fruta (…). Cada vez mais se trabalha para que logo ao pequeno-almoço existam também vegetais”, explica.

 
Para a nutricionista, a imagem do pequeno-almoço tem que ser uma imagem muito idêntica à Roda dos Alimentos, em que as duas grandes porções, a fruta e os vegetais, devem estar presentes. Mas como se inclui um vegetal no pequeno-almoço dos mais novos?
 
“Tem muito a ver com aquilo que se pratica desde a primeira infância. É claro que, para uma criança que nunca teve esse contacto, a primeira reação é negativa. ‘Não quero, não gosto, não me apetece’. Mas procurar aquele vegetal que é interessante: a cenoura, a rodela de tomate, a folha de alface. Coisas com que as crianças já têm contacto e ir introduzindo. Efetivamente, não precisa de ser todos os dias, porque nem um adulto gosta de comer os mesmos alimentos todos os dias. O importante é podermos variar todos os dias”, aconselha.