A nutrição é um fator-chave para os doentes com cancro, podendo ajudá-los a tolerar os tratamentos e a aumentar o potencial para um prognóstico mais favorável da doença, mas em Portugal ainda existe pouca formação específica nesta área.

A professora e investigadora Paula Ravasco explicou à agência Lusa que a nutrição em oncologia é uma área «deficitária em termos de formação específica», ao contrário de outros países que já apostam fortemente nesta área de formação específica avançada há anos.

Paula Ravasco, que coordena o curso de formação avançada em Nutrição em Oncologia que se inicia esta semana na Universidade Católica Portuguesa, considera, por outro lado, que há muita informação disponível para a população em geral sobre as questões da nutrição em oncologia.

Trata-se muitas vezes de informação não suportada por evidência científica e que, inevitavelmente, acaba por influenciar as escolhas alimentares dos doentes.

Estudos recentes têm demonstrado que a nutrição adequada pode ser um fator terapêutico adjuvante durante o tratamento da doença oncológica.

Contudo, a intervenção nutricional deve ser feita de forma individualizada, tendo em consideração os hábitos e preferências dos doentes com alimentos escolhidos em função de cada doente, do tipo de tumor e do tipo de tratamento a que o doente vai ser submetido, afirmou Paula Ravasco, sendo desaconselhado que os doentes iniciem a toma de suplementos, independentemente da sua composição, sem supervisão médica.

Muitas substâncias que podem ser tomadas sem supervisão ou prescrição médica, além de poderem não ter qualquer efeito na doença, poderão mesmo ser prejudiciais à saúde da pessoa, fazendo assim também mal à doença.

A intervenção nutricional deve assim ser feita envolvendo todos os profissionais que tratam o doente, desde médicos, a enfermeiros e nutricionistas.

Paula Ravasco frisou que a nutrição individualizada é um fator-chave para um melhor prognóstico, uma vez que pode «modular o efeito dos tratamentos antineoplásicos», tornando-os mais eficazes, «aumentando o potencial para um prognóstico mais favorável».

Outra das componentes da formação avançada que começa esta semana em Lisboa é a nutrição como fator de risco ou fator protetor na doença oncológica.

Dados científicos internacionais mostram que uma nutrição adequada em conjunto com estilos de vida saudáveis são capazes de prevenir cerca de 40% a 50% dos cancros a nível mundial.

O que conta é a alimentação como um todo, a que consiga veicular os nutrientes essenciais nas proporções certas para cada pessoa – e não um único alimento: «De facto o mais relevante na prevenção e terapêutica da doença é o conjunto equilibrado entre alimentação e estilos de vida», segundo cita a Lusa.