Já sabemos que há portugueses e lusodescendentes a combaterem ao lado do Estado Islâmico, o grupo terrorista que se arroga do desejo de criar um califado que reúna vários países. Neste momento, já se estende pelo Iraque e pela Síria. Outro grupo radical islâmico, o Boko Haram, da Nigéria, já veio declarar a sua lealdade para com o Estado Islâmico.

A Europa “acordou” para este pesadelo efetivamente a 7 de janeiro de 2015. O ano começou vestido de negro com o ataque à redação do jornal satírico francês “Charlie Hebdo” e a uma mercearia judaica no coração de Paris, da França, do país da “liberdade, fraternidade e igualdade”.

“O Estado Islâmico é uma ameaça à escala global. O objetivo deles é a expansão. Uma expansão constante nos territórios que ocupam. Começaram no Iraque, passaram para a Síria”, porque esta é uma “estratégia fundamental para a sua expansão”.


E porquê? Para gerar dinheiro, por isso a expansão para obter “novos recursos”, explicou o autor Nuno Tiago Pinto na TVI24, não excluindo esse alargamento, “em última instância, para a Península Ibérica”.


Como um novelo que se desenrola, o assunto da presença de extremistas de nacionalidade europeia nas fileiras do Estado Islâmico tornou-se mais premente. Eles já não vão só para , eles também regressam e podem ser autores de atentados do lado ocidental.

A França, que declarou guerra a este terrorismo, reconheceu que há milhares de pessoas monitorizadas pelas suas relações com os radicais islâmicos e, de Bruxelas a Washington, a ameaça do Estado Islâmico é prioridade de todos os Serviços Secretos.

A página tantas, fomos sabendo de lusos que se juntaram aos radicais islâmicos. Nuno Tiago Pinto, conta agora em livro quem são “Os combatentes portugueses do Estado Islâmico".

Por isso, na entrevista, na TVI24, esta terça-feira, o autor desvendou um pouco sobre estes cidadãos e como conseguiu chegar à fala com eles.

 Nuno Tiago Pinto conseguiu contacto com estes portugueses através das redes sociais. Ainda assim, “não foi nada fácil”, disse.
 

“Foi um processo longo: descobrir os nomes que usavam – porque mudaram os nomes – e chegar às páginas de Facebook e Twitter”. Depois, “foi preciso convencê-los a falar” e “só alguns responderam, nem todos o fizeram”.
 

Das conversas online que teve, Nuno Tiago Pinto destacou “o comprometimento com a causa, não deixam espaço para dúvidas. Estão absolutamente convencidos e absolutamente certos do caminho a seguir”, ou seja, “não há mínima flexibilidade para aceitar que aquele caminho que decidiram seguir – da busca da felicidade através do Islão mais radical - é o caminho errado”.
 

Entretanto, “a comunicação foi interrompida por pressão da comunicação internacional, como das próprias empresas - Facebook e Twitter-, que estão constantemente a bloquear as páginas deles”.
 

Mas, Nuno Tiago Pinto frisou também que se deu conta de uma “estrutura altamente profissional” no Estado Islâmico e da força da sua mensagem. Eles dizem: “Nós somos fortes, somos nós que levamos a guerra aos inimigos e, portanto, juntem-se a nós. E, isso é um apelo muito, mas mesmo muito forte”, concluiu.