O Partido Socialista veio esta terça-feira pedir a demissão do ministro da Educação, Nuno Crato, como consequência dos erros nos concursos de professores que levam a que, passado quase um mês do início do ano letivo, muitas escolas não tenham o quadro de professores completo.

«Temos que saber se o que está em causa é uma atuação consciente e criminosa de destruição da escola pública ou se é um problema de incompetência absoluta na ação política do ministério da Educação. Quer num caso, quer noutro, tem que haver assunção de responsabilidades», disse o socialista Marcos Perestrello.

«Nós defendemos uma cultura de responsabilidade e está na hora do senhor ministro da Educação assumir as suas responsabilidades de forma muito clara», acrescentou o dirigente do PS na visita à Escola Básica Francisco Arruda, em Lisboa, onde faltam 23 professores.

«Se o senhor ministro não assumir as suas responsabilidades, resta ao primeiro-ministro assumi-las por ele», defendeu. «E se o senhor primeiro-ministro não demitir o ministro da Educação» é porque «não encontra ninguém para o substituir e não encontra ninguém para o substituir porque o governo e esta maioria estão num claro processo de desagregação acelerado».

«O senhor ministro da Educação deve uma explicação muito clara sobre o que se está a passar».

Nuno Crato, na manhã desta terça-feira, explicou aos jornalistas, à margem de uma conferência na Fundação Champalimaud, que espera que até esta quarta-feira sejam colocados centenas de docentes nas escolas.

O ministro da Educação admitiu dois erros na colocações de professores neste ano letivo e garante que a situação de falta de professores nas escolas ficará resolvida até à próxima semana.

«Entre ontem, hoje e amanhã, chegam às escolas 800 professores», anunciou Nuno Crato, acrescentando que para os outros horários «foram abertos dois concursos».

O ministro admitiu os erros: «Houve dois tipos de erros: houve o erro na hierarquização dos professores pela harmonização dos dois fatores; e houve insuficiências na plataforma que não permitiram que as respostas dos professores na base da qual é feita a avaliação curricular fosse inequívoca», mas respondeu com o silêncio à pergunta se este caso justificava a sua demissão