O Ministério da Educação inicia esta quinta-feira uma ronda de reuniões para discutir as praxes académicas, mas os estudantes universitários, os primeiros a ser ouvidos, vão levar mais temas para discussão.

O ministro da Educação, Nuno Crato, e o secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, recebem, pelas 16:00 no Palácio das Laranjeiras, em Lisboa, os representantes das associações académicas, seguindo-se, pelas 18:00, o encontro com a Associação Portuguesa de Ensino Superior Privado (APESP).

Na quarta-feira os estudantes fizeram saber que levam para a reunião uma proposta, que recupera uma ideia antiga nunca aceite por governos e parlamento, para criar um Estatuto do Estudante do Ensino Superior Universitário que inclua normas disciplinares e sanções uniformes em caso de abusos e excessos em contexto académico e praxes.

Praxes: regulamentos prevêem sanções que nunca foram aplicadas

Os representantes das associações académicas de duas das maiores universidades do país - Lisboa e Coimbra - disseram à Lusa que não deixarão passar a oportunidade para colocar ao ministro questões sobre o financiamento do ensino superior e da ciência ou sobre as bolsas de ação social e o decréscimo do número de estudantes universitários.

Sobre esta ronda de reuniões, na qual o Governo tem como objetivo discutir com os intervenientes do ensino superior a questão das praxes, o secretário de Estado do Ensino Superior já disse que está disponível para discutir a criação de um código de conduta comum às universidades.

A esquerda parlamentar disse, na quarta-feira, ser essencial que as universidades e demais instituições académicas tenham gabinetes de integração a novos alunos para prevenirem praxes violentas. Já o PSD e o CDS-PP enalteceram a reunião agendada esta semana pelo Governo com responsáveis estudantis.

O debate sobre a questão das praxes surgiu na sequência da morte de jovens na praia do Meco, Sesimbra, a 15 de dezembro. Faziam parte de um grupo de sete estudantes universitários que tinham alugado uma casa na zona, para passar o fim de semana. Segundo as autoridades, uma onda arrastou-os na madrugada de 15 de dezembro, mas um dos universitários conseguiu sobreviver.

A investigação da TVI revela que, no entanto, a tragédia pode estar relacionada com um ritual de praxe. A reconstituição dá conta do que poderá ter acontecido na trágica noite e revela ainda que na noite anterior os jovens não dormiram e que mais cinco estudantes eram esperados na casa.

A investigação dos acontecimentos está entregue às autoridades judiciais e a Universidade Lusófona, na qual estudavam as vítimas, abriu um inquérito interno para apurar o que se passou.