Cerca de meia centena de professores estão em protesto junto à Escola Secundária da Moita, onde o ministro Nuno Crato realiza uma visita nesta segunda-feira, para assinalar a abertura do ano escolar.

Presente no protesto, o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), Mário Nogueira, criticou as políticas do Governo e prometeu ações de luta em todas as escolas que o ministro da Educação e Ciência irá visitar.

«Vamos protestar em todo o lado que este ministro vá. É preciso ter um grande lata e não ter vergonha na cara para andar a destruir o futuro da escola pública e da educação neste país e depois aparecer como se não fosse nada com ele», criticou Mário Nogueira.

«Não encontramos razões para este ministro entrar ainda numa escola pública. Esta é uma política de terra queimada e assim, dificilmente, nasce alguma coisa fértil», acrescentou.

O ministro Nuno Crato não se cruzou com os contestatários, pois entrou na escola secundária da Moita por uma porta lateral, tendo depois realizado uma visita ao estabelecimento e participado numa reunião com professores do agrupamento.

«Não vi nenhuma manifestação. Existem sindicalistas e dirigentes do sindicato que estarão a exercer o seu direito à manifestação à porta. Eu vim falar com os professores e com o diretor da escola e vamos ter uma reunião de trabalho», disse Nuno Crato.

Mário Nogueira disse que, a poucos dias do arranque do novo ano letivo, as escolas têm falta de pessoal auxiliar e de professores.

«Hoje, o desânimo e desencanto dos professores é enorme. Existem 18 mil professores com horário zero, que o Ministério da Educação desenrascou alguma coisa para fazer, mas que sabem que a mobilidade especial é uma ameaça que para sobre si», salientou.

O secretário-geral da Fenprof garantiu que a luta vai continuar.

«A indignação chega e um ponto em que se confunde com revolta. Um dia destes estaremos todos na rua. A CGTP tem uma manifestação marcada para 19 de outubro e com certeza será uma grande manifestação», concluiu.