O Ministério da Educação classificou este sábado como «completamente incompreensível» a tomada de posição dos institutos politécnicos, que pediram a demissão de Nuno Crato em carta enviada ao primeiro-ministro, acusando-os de fazer um «aproveitamento despropositado» das declarações do ministro.

«A tomada de posição do CCISP é ainda mais injustificada tendo em conta que o sentido e alcance das declarações [...] foram diretamente esclarecidos junto daquele órgão, mal foram suscitadas dúvidas», lê-se no comunicado do Ministério da Educação e Ciência (MEC), enviado hoje.

O Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) reclamou na sexta-feira a demissão do ministro da Educação e Ciência, considerando que a atuação de Nuno Crato pode «condicionar gravemente» o desenvolvimento do ensino superior.

Em carta aberta dirigida ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, o CCISP considera que «não existem condições de confiança» para o ministro da Educação e Ciência «continuar a tutelar o ensino superior».

Na origem da carta estão declarações de Nuno Crato, na quarta-feira, à RTP1, em que afirmou que o sistema de formação de professores «tem várias falhas», como a preparação dos candidatos «à entrada para os cursos de habilitação à docência».

O ministro também levantou dúvidas quanto à preparação à saída do curso, sobretudo nos casos em que as licenciaturas não foram obtidas em universidades.

Em comunicado, o Ministério declara-se «surpreendido com uma tomada de posição completamente incompreensível», sublinhando que as declarações do ministro à RTP foram alvo de um esclarecimento do MEC, no qual sustentava que as dúvidas levantadas quanto aos cursos de formação inicial de professores se referiam ao conjunto das escolas, independentemente de serem em politécnicos ou universidades.

«Na sequência desta nota de clarificação, o Ministério da Educação e Ciência lamenta que um órgão como o CCISP, parceiro da tutela na definição das políticas educativas para o Ensino Superior e constantemente auscultado, possa fazer um aproveitamento despropositado de uma conjeturável ambiguidade prontamente esclarecida», lê-se no documento.

O comunicado defende ainda que o MEC está empenhado na valorização do ensino superior, incluindo o politécnico, referindo, por exemplo, os novos cursos de curta duração, não conferentes de grau académico, que o Governo quer instalar nos institutos politécnicos, vocacionados para acolher os alunos oriundos do ensino profissional e vocacional.

«Será importante que os Institutos Politécnicos possam cooperar construtivamente na melhoria da formação inicial de professores, objetivo de exigência em que se insere a atual revisão do diploma de habilitações para a docência e outras medidas em curso de que o Ministério não abdica», conclui o comunicado do MEC.