O Ministro da Educação admitiu esta segunda-feira que será preciso estar atento para que as empresas não se aproveitem da proposta governamental que defende que os alunos dos cursos profissionais poderão passar o dobro das horas em formação nas empresas.

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A atual legislação prevê que os estudantes dos cursos profissionais têm 420 horas de formação em contexto de trabalho, no entanto o Governo pretende duplicar o número de horas, segundo uma proposta de alteração do decreto-lei do ano passado sobre gestão curricular.

Após uma análise à proposta governamental, o Conselho Nacional de Educação (CNE) defendeu que embora se possa «à partida, considerar benéfico», é preciso garantir que o tempo que os alunos vão passar em formação nas empresas não seja um contributo para a «prestação gratuita de trabalho pouco qualificado».

Questionado sobre esta posição, Nuno Crato considerou que se trata de um «alerta para a necessidade do controle», que será feito, apesar de admitir que poderão existir «falhas»: «Claro que em tudo o que nós fazemos pode haver falhas, mas para isso é que estamos cá, para verificar essas falhas».

O ministro acredita que mais tempo de formação vai permitir «um maior contacto com as empresas» e aumentar as possibilidades de arranjar emprego.

«Estamos convictos que isto mostra aos nossos jovens o que é a vida real das nossas empresas. Ou seja, complementa a sua formação assim como lhes permite mais facilmente aceder a uma profissão», defendeu Nuno Crato, à margem de uma reunião de trabalho do Conselho das Escolas, que decorre hoje em Caparide.

Nuno Crato sublinhou que estarão atentas á situação várias entidades: «Para isso existem os diretores de escolas, os conselhos gerais, o ministério, e a inspeção, mas pode sempre haver falhas».