O ministro da Educação disse esta segunda-feira que os serviços da administração escolar estão a «trabalhar intensamente» para resolver esta semana o problema da colocação de professores resultante de um erro que levou o governante a pedir desculpa, no parlamento.

«Neste momento, o secretário de Estado da Administração Escolar, João Casanova, está em contacto direto com os serviços a resolver o problema e a trabalhar intensamente para que tudo seja resolvido ainda esta semana», afirmou Nuno Crato aos jornalistas, em Lisboa.

«É algo de que teremos novidades muito em breve», indicou, no final da sessão solene de abertura do ano letivo no Conselho Nacional de Educação (CNE).

O secretário de Estado afirmou que aguarda «informação detalhada» para poder avançar com uma solução que permita corrigir os erros detetados na colocação de professores este mês, através da Bolsa de Contratação de Escola.

De acordo com João Casanova de Almeida, trata-se de uma informação que vai recair sobre um por cento dos professores que as escolas necessitam.

Questionado sobre alegadas práticas de manipulação de notas por parte de escolas para favorecer a entrada dos alunos no Ensino Superior, o ministro afirmou que há instrumentos de controlo e de incentivo às escolas que obtenham resultados aproximados entre a avaliação interna (contínua) e a externa (exames).

Estas práticas são relatadas no documento «Estado da Educação 2013», elaborado pelo CNE e divulgado no fim-de-semana.

Nuno Crato sublinhou que há no relatório alguns aspetos que valoriza e que devem ser destacados, como os exames: ¿A importância da avaliação externa e a necessidade de ter atenção aos diversos efeitos dessa avaliação externa e fazer com que a avaliação externa e a interna colaborem, estejam em sintonia¿.

«Temos um instrumento estatístico que foi estabelecido desde 2012 e um instrumento que tem estado continuamente a produzir informação que dá incentivos às escolas e um desses incentivos é a aproximação entre as notas internas e externas», declarou.

«As escolas que alinharem bem as notas internas com o nível de exigência que pretendemos para os seus estudantes têm um reflexo positivo na atribuição de créditos», lembrou.

De acordo com Nuno Crato, a medida está a resultar e tem subido o número de escolas em que esse alinhamento está a tornar-se mais harmonioso. «Há progressos também nessa área», concluiu.

O CNE homenageou o histórico do CDS e ex-conselheiro Adriano Moreira, que deixou um alerta numa cerimónia presidida pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, para a necessidade de serem interpretados os resultados do relatório «Estado da Educação 2013».

«O Conselho deu prova, com este relatório, correspondente às necessidades que estamos a enfrentar, de que mantém o vigor, a presença e a indispensabilidade de ser ouvido no grave momento que a educação está a atravessar», afirmou Adriano Moreira.

O presidente do CNE, David Justino, defendeu que este órgão consultivo do Ministério da Educação deverá continuar a pautar-se por uma atuação isenta, mas não necessariamente neutra, contribuindo para medidas que melhorem o sistema educativo a médio e longo prazo.