O ministro da Educação e da Ciência, Nuno Crato, garantiu este sábado, num encontro com diretores, professores e pais, em Cascais, que as necessidades escolares «que forem comprovadas (…) serão supridas».

No final do
39.º Encontro Nacional das Associações de Pais, que este sábado decorreu em Cascais, Nuno Crato falou aos jornalistas e, quando sobre se, no quadro do plano de recuperação do atraso do ano letivo e caso seja necessário, contratará mais professores e pagará horas extraordinárias, disse que, «com certeza, (…) as necessidades que forem comprovadas (…) serão supridas».

Porém, sublinhou o ministro, o que se está a verificar «é um grande esforço por parte dos diretores e dos professores para, com os meios próprios, resolverem os problemas da compensação pedagógica que existem para um conjunto de alunos».

Acerca do balanço da colocação de professores através da Bolsa de Contratação de Escola (BCE), que o Ministério da Educação tinha prometido para esta semana, mas depois remeteu para a semana que vem, o ministro assegurou que «a Administração Escolar tratará disso no devido tempo».

Realçando que tem acompanhado «o que se está a passar, dia a dia», Nuno Crato confirmou que «um balanço sistemático será feito, em princípio, na segunda-feira».

Na sessão de encerramento do encontro, o ministro voltou a reconhecer «erros lamentáveis no início» do ano letivo, mas garantiu que «estão agora em fase de ultrapassagem final» e recordou que «muitas escolas não tiveram problemas nenhuns».

Perante o repto lançado pelas associações de pais para que não admita mais cortes na educação, o ministro voltou a explicar que o orçamento não emagrecerá 700 milhões de euros. «Na realidade, há uma redução de 200 milhões», insistiu, acrescentando que, desse montante, 50 milhões «dependem da capacidade de utilizar fundos comunitários».

Ou seja, garante o ministro, «a redução na educação vai ser muito menor, se é que vai haver». E, «se for necessário», Nuno Crato irá «buscar» mais dinheiro.

O ministro apelou à colaboração dos responsáveis escolares, «no superior interesse do aluno», mas admitiu que «o diálogo não terá funcionado bem em todos os organismos do ministério».

Lamentando que haja «poucos consensos» na educação, Nuno Crato classificou o atual momento como sendo «de grande dificuldade», mas garantiu estar a trabalhar para «estabilizar» o corpo docente.

«Vamos sempre precisar de professores no quadro e de professores contratados para funções adicionais e temporárias», frisou, garantindo que as medidas adotadas pelo Governo «vão ter um efeito muito claro» no futuro.

«Ser professor era aquela profissão para onde se ia quando não se tinha mais nada, em alguns casos», disse, para demonstrar o que quer mudar no futuro.

Por outro lado, o ministro reafirmou o compromisso com uma maior autonomia das escolas. «Não vamos recuar nisso», garantiu, reconhecendo que a que existe «é muito pouca ainda» e que precisa de «ir mais longe».

Porém, «autonomia vai a par com avaliação clara» e «vigilância da sociedade sobre os resultados dessa avaliação», o que implica também que os pais sejam mais exigentes, realçou o ministro, lamentando que seja «coisa rara» um pai ou uma mãe irem à escola por os filhos saberem menos do que as notas que têm.