O ministro da Educação negou hoje que haja um adiamento no arranque do ano letivo, garantindo que as aulas "vão começar sem sobressaltos" e que as datas foram escolhidas tendo em conta “um maior equilíbrio” entre os três períodos.

“O ano letivo vai começar a 15 de setembro e está rearranjado este ano, tal como é sempre feito, em função dos feriados e das férias. Procurámos um maior equilíbrio entre a duração dos três períodos”, disse Nuno Crato em declarações aos jornalistas à margem de um encontro que se realizou hoje na Fundação Gulbenkian, garantindo que as aulas vão “arrancar sem sobressaltos”.


Segundo o calendário escolar do apresentado esta semana aos sindicatos, as aulas começam entre 15 e 21 de setembro e terminam, o mais tardar, a 9 de julho.

Para o ministro da Educação e Ciência, “não há um atraso (no arranque) do ano letivo”, tal como foi defendido por professores e partidos políticos.

Nuno Crato lembrou que o calendário é desenhado depois de ouvidos sindicatos e diretores das escolas e que mesmo entre todos os envolvidos existem opiniões muito diferentes e, por isso, “o calendário escolar é sempre um equilíbrio” entre várias vontades.

“Há pais que expressam o gosto por um ano letivo que devia ser mais estendido, há pais que acham que o ano letivo é demasiado longo. Há professores que acham o mesmo, há quem gostaria de ter um intervalo maior a seguir ao ano novo… enfim, nós vamos ajustando as coisas em função daquilo que nos parece melhor depois de ouvir os diretores e os sindicatos”, afirmou.


O ministro escusou-se a comentar as críticas dos partidos (que falam em atraso no arranque do ano letivo e anteveem novamente um começo de ano conturbado) por considerar que se trata de “especulação pura”.

Os grupos parlamentares do PCP e do Bloco de Esquerda anunciaram na terça-feira que querem ouvir o ministro no parlamento sobre a abertura e as condições do próximo ano letivo.

Também a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) veio acusar o Governo de “ tentar ganhar tempo” para “disfarçar trapalhadas” com a colocação dos professores e de adiar o início do ano letivo.

Os diretores das escolas públicas manifestaram-se chocados com o período para o início do próximo ano letivo apresentado pelo Ministério da Educação, considerando-o demasiado tardio.

Sobre as críticas de pais e diretores por não ter acolhido a sugestão de marcar para depois do fim das aulas os exames nacionais do 4.º e 6.º ano, Nuno Crato sublinhou que as datas definidas no calendário escolar permitem oferecer a alguns alunos um período de acompanhamento extraordinário.

Segundo o calendário escolar, este período de acompanhamento aos estudantes com mais dificuldades deverá ser entre os dias 22 de junho e 12 de julho.

Assim, os alunos do 4.º e 6.º ano que tenham maus resultados na primeira fase dos exames de Português e Matemática (que se vão realizar a 24 e 26 de maio, respetivamente), poderão voltar a fazer as provas na 2.º fase, que foi agendada já para depois do final do ano letivo, a 13 e 15 de julho.

Nuno Crato disse que este acompanhamento extraordinário “tem permitido recuperar muitos alunos” e mostrou-se disponível para apoiar os diretores das escolas onde a realização das provas possam perturbar o normal funcionamento das aulas dos restantes alunos.