O escritor português José Saramago foi lembrado esta terça-feira, em Paris, no decorrer da iniciativa «Une Saison de Nobel», que homenageia prémios Nobel da literatura, com a leitura de excertos da sua obra, em francês e na sua língua materna.

«[José] Saramago é um dos maiores autores que se conhece, gosto muito da sua escrita», disse à Lusa a coordenadora e fundadora do projeto, Anny Romand.

Esta é a segunda vez que a iniciativa presta homenagem a José Saramago, sendo que a primeira vez foi em 2006 com a presença do autor.

«Ele foi formidável. Era um grande humanista, foi absolutamente delicioso. Respondeu a perguntas, apresentou-se, falou dele. Foi uma grande alegria e um grande momento», contou.

A iniciativa «Une Saison de Nobel» surgiu há sete anos, quando a atriz Anny Romand se lembrou de homenagear os prémios Nobel da literatura.

«Muitas vezes pedem-me para ler textos. Um dia lembrei-me de organizar leituras (...) e tive a ideia de ir buscar a lista dos prémios Nobel, a partir de 1901. Achei essa lista formidável, muito interessante, sempre com bons autores e decidi lançar "Une Saison de Nobel"», explicou.

«A cada leitura encontro pessoas de países diferentes, acho isso ótimo. Encontro os serviços culturais, conheci o embaixador do Chile [em França], em Pablo Neruda, foi ele que veio falar do Nobel, porque o conhecia muito bem. E para o público é extraordinário, não é o tipo de coisas que encontramos na Wikipedia», contou.

Esta oportunidade de troca cultural à volta dos prémios Nobel da literatura fascina a atriz também pelo facto de cada autor representar uma «história de vida».

«Cada autor vem de um local "perdido" no mundo, não era suposto que viessem a escrever, eram filhos de pastores, de camponeses, de operários. São normalmente pessoas que vêm de meios muito modestos e que um dia, por diferentes razões, começam a escrever e acabam por ser um prémio Nobel. É sempre uma bonita história de vida», concluiu.

As sessões são sempre apresentadas em francês e na língua materna do Nobel em homenagem. Nesta sessão dedicada a José Saramago coube a Maria Graciete Besse, professora na Universidade Sorbonne, em Paris, a leitura de Saramago em português.