O Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes, no valor pecuniário de 12.500 euros, foi atribuído por unanimidade ao livro "Nó", de Daniel Jonas, anunciou a Associação Portuguesa de Escritores.

Na ata, o júri, que foi constituído por António Mega Ferreira, Fernando J.B. Martinho e José Manuel Mendes, justifica a escolha “pelo mérito muito assinalável do seu trabalho poético, que convoca a tradição lírica ocidental para uma recomposição textual lúcida e fortemente irónica, cosmopolita, atenta aos lugares e tempos de um presente recolhido e transfigurado”.

Nesta segunda edição da Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes, com a coordenação da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e o patrocínio da Câmara Municipal de Amarante, concorreram 77 obras publicadas no ano de 2014, de acordo com a Lusa. 

No passado dia 14, foi divulgado o grupo dos seis finalistas que, além da obra de Daniel Jonas, incluía “Escuro”, de Ana Luísa Amaral, “Ritornelos”, de Joana Emídio Marques, “A misericórdia dos mercados”, de Luís Filipe Castro Mendes, “Jóquei”, de Matilde Campilho, e “O fruto da gramática”, de Nuno Júdice.

Daniel Jonas nasceu no Porto, em 1973, é mestre em Teoria da Literatura pela Universidade de Lisboa, com uma dissertação sobre John Milton, de que resultou a tradução de "Paradise Lost"/”Paraíso Perdido”, publicada pela Cotovia, em 2006.

Literariamente, Daniel Jonas estreou-se em 1997 com a recolha para jogos florais "O corpo está com o rei", ao qual se seguiu "Moça formosa, lençóis de veludo" (2002), "Os fantasmas inquilinos" (2005), “Sonótono” (2007) e “Nenhures” (2008).

No biénio 2010-12, o poeta recebeu o Prémio Europa - David Mourão-Ferreira, na categoria Esperança, do Centro Studi Lusofoni - Cátedra David Mourão-Ferreira, da Universidade Aldo Moro, de Bari, em Itália, e do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua. Este ano, Jonas foi um dos sete finalistas do Prémio Poeta Europeu da Liberdade.

Para a companhia Teatro Bruto, Jonas escreveu “Reféns” e “Estocolmo”, levados à cena em 2009 e 2011, respetivamente.

Fernando Guimarães venceu a edição do ano passado, a primeira com o nome de Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes, embora já tivessem sido distinguidos perto de duas dezenas de outros poetas portugueses, em anos anteriores, sob a designação Grande Prémio de Poesia da APE.

Desde a sua instituição, em 1988, ainda sem parcerias, foram distinguidos autores como António Ramos Rosa, Natália Correia, Vasco Graça Moura, Joaquim Manuel Magalhães, Fernando Echavarría, Fiama Hasse Pais Brandão, Pedro Tamen, Gastão Cruz, Armando Silva Carvalho, Manuel António Pina, Manuel Gusmão e António Franco Alexandre.

Eugénio de Andrade foi o primeiro distinguido com o Grande Prémio de Poesia APE, em 1988.

Teixeira de Pascoaes foi poeta e escritor, autor de dezenas de obras. Nasceu em Amarante, em 1877, e morreu na mesma localidade, onde passou a maior parte da vida, aos 75 anos.

A cerimónia de entrega do prémio “será oportunamente divulgada”, afirma a APE.