O nível da água na bacia do Tejo deverá «voltar progressivamente à normalidade» com o «acalmar da precipitação» que nos últimos afetou o país, segundo o responsável pela área de recursos hídricos da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

Rui Tavares explicou à agência Lusa que o nível da água na bacia do rio Tejo está muito alto devido à chuva intensa e às descargas das barragens, que estão à beira do máximo da capacidade, tendo provocado desde o fim de semana passado a inundação e o corte de estradas no concelho de Santarém, mantendo-se a povoação do Reguengo do Alviela isolada, com os bombeiros a transportarem de barco os cerca de 30 habitantes.

Em declarações à Lusa, esta quarta-feira, a propósito do mau tempo que tem afetado o continente e os seus efeitos, Rui Tavares explicou que os níveis da água estão a baixar progressivamente e, se a chuva parar nos próximos dias, como está previsto, a situação «fica normalizada».

«Ontem [terça-feira] houve hipóteses de ter a situação resolvida. Parecia que estava controlada, pois Espanha já tinha começado a diminuir as descargas e o esperado era que na madrugada de hoje os valores baixassem», declarou.

Contudo, adiantou, «devido aos valores em que se encontravam as zonas entre Cedillo e a barragem de Alcântara (Espanha) e os afluentes da margem direita do lado português do Tejo, bem como o Zêzere, que traziam muito caudal, houve necessidade de retomar os níveis de descarga».

«Entretanto, os níveis vão baixar se não houver precipitações fortes. O que se está a fazer agora é durante algumas horas conseguir manter as descargas constantes para propiciar novos encaixes nas albufeiras espanhola e portuguesas», salientou.

O responsável da APA explicou também que no fim de semana passado, dadas as condições meteorológicas em Espanha e depois em Portugal, houve a necessidade de se proceder a descargas controladas para gerir o nível das cheias.

«Tem sido um inverno muito chuvoso com excessivas passagens de superfícies frontais pelo território e Península e isso faz com que haja sempre água a afluir às albufeiras. Desde o Natal que as albufeiras têm vinco a encher», lembrou.