Dois em cada três avós inquiridos num estudo que tentou perceber os comportamentos dos jovens e como vivem dizem estar com os netos em casa durante o dia ou depois das aulas, assumindo um papel essencial na educação das crianças.

Segundo o estudo Fórum da Criança, que será divulgado na terça-feira no seminário «Kids & Teens», em Lisboa, os avós assumiram um «papel primordial» na gestão do dia-a-dia das famílias, estando presentes nas rotinas diárias dos netos.

O estudo, que será apresentado num seminário subordinado ao tema «A Reinvenção da Família Alargada», refere que cerca de 72% dos pais inquiridos elegeram os avós como os principais parceiros na educação dos filhos, uma vez que os acompanham nos estudos, nas atividades extracurriculares e na comunicação digital, que também tem um “poder crescente” na vida dos mais novos.

Mas também assumem um papel essencial enquanto suporte financeiro, ajudando muitas vezes economicamente os pais na criação dos seus filhos.

Mais de metade (56%) dos avós diz que compra algumas roupas e calçado para os netos, refere o estudo, que teve início em 2005 e já envolveu cerca de 6.000 crianças, 1.700 pais e, na última edição, em 2014, incluiu os avós.

«Com a crise económica que se instalou começámos a reparar claramente que os hábitos das famílias alteraram-se», com os avós a assumirem «um papel muito relevante nas famílias, não só a nível de acompanhamento das crianças, como na ajuda na compra de roupas e até bens alimentares», disse à agência Lusa Leonor Archer, responsável pelo Departamento de Marketing Infantil da Brandkey, empresa promotora da sétima edição do seminário em parceria com a Ipsos Apeme.

«São um apoio fundamental para os pais e têm um papel funcional na educação dos netos, ao mesmo tempo que também têm laços muito fortes», sustentou Leonor Archer.

Questionado pela Lusa sobre a importância desta ligação entre avós e netos, o pediatra Mário Cordeiro disse que «o convívio intergeracional é fundamental», considerando que «não é concebível uma sociedade com tecido social fraturado e com lacunas nas suas diversas componentes».

Mário Cordeiro adiantou que «os avós podem transmitir sabedoria», resultante da sua experiência de vida e que vai «dar sentido à informação que as crianças hoje recebem em catadupa».

Além disso, frisou, «é bom o contacto humano, calmo, tranquilo, mas firme e com regras e afeto, que os avós podem transmitir aos netos».

«As pessoas continuam a ser de carne e osso e as relações interpessoais não se podem reduzir a avatares no Facebook», sustentou.

Por outro lado, para os avós, «os netos são a garantia da continuidade, da sua vitória sobre a morte e da eternidade do seu desígnio de vida», porque «ajudam a rever o passado, a contemplar o presente e a garantir-lhes que terão futuro, mesmo que a morte sobrevenha», salientou Mário Cordeiro.

O estudo salienta também a importância que a televisão, a Internet e o telemóvel têm na vida das crianças e dos jovens, referindo que três quartos dos jovens inquiridos têm acesso à internet e, destes, nove em 10 fazem-no em casa.

Os dados indicam que 52% das crianças usam o Facebook sobretudo para jogar e falar com os amigos e que seis em cada dez têm telemóvel, sendo a maior proporção no 3º ciclo (8 em 10).

Leonor Archer salientou o facto de a televisão continuar «a ter um papel tão relevante» na vida das crianças e dos jovens, o que está relacionado com «o aumento da penetração dos operadores de cabo com os canais temáticos».