O ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, afirmou esta segunda-feira que a conservação da natureza deve ser encarada como uma questão de dever, mas também de oportunidade económica, reconhecendo ser uma área em que é necessário fazer mais.


"Assumo o meu inconformismo, [e] se tiver de encontrar uma área em que, no futuro, todos temos de fazer mais, seja em Portugal ou no contexto europeu, é a área da conservação da natureza", disse o ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e da Energia, na cerimónia que marcou o início das comemorações dos 30 anos da associação de defesa do ambiente Quercus, que se realizou em Lisboa.


"Ainda não conseguimos encontrar uma forma suficientemente eficiente para colocar o valor económico da biodiversidade no preço final de todos os produtos e processos", salientou o ministro, apontando que essa tarefa já foi cumprida nas alterações climáticas, nos resíduos ou na água.

Mas, explicou, a conservação da natureza "ainda está demasiado associada ao Orçamento do Estado", apesar de haver "vantagens para Portugal em ser encarado como um dos países com uma biodiversidade mais rica e com valores naturais mais vantajosos".


Para Jorge Moreira da Silva, a ideia de que a aposta na conservação da natureza representa um obstáculo ao desenvolvimento "é anacrónica".

Aliás, para reforçar a sua opinião, socorreu-se de dados da Agência Europeia do Ambiente que dizem estar o investimento em Rede Natura anualmente nos cinco mil milhões de euros, mas os seus efeitos positivos do ponto de vista económico representam mais de 200 mil milhões de euros por ano, ou seja, "uma relação de cinco para 200".

Por isso, a insistência na importância de olhar para a conservação da natureza não só como uma questão de "dever, mas também de oportunidade económica".

A ideia de contabilizar os efeitos da biodiversidade em "serviços" como a purificação do ar e da água, o sequestro de carbono ou a criação de biomassa, tem sido muito referida também a nível europeu já que permitirá atribuir um valor económico a estas tarefas desempenhadas pela natureza.

"Isso tem um valor económico e ainda não conseguimos colocar esse valor no preço final dos produtos e dos processos e no dia em que o conseguirmos fazer estaremos em condições de remunerar esses serviços e quem vive nessas áreas passa a ter mais vantagens do que inconvenientes", resumiu o ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia.


Jorge Moreira da Silva enalteceu o trabalho do movimento ambientalista, principalmente da Quercus, associação que "foi trabalhando de uma forma muito corajosa durante os últimos 30 anos", apesar de nem sempre a associação e o Governo, ou o próprio ministro, terem a mesma opinião.

"Não concordo com tudo o que a Quercus disse, assim como a Quercus não concorda com tudo o que os governos vão fazendo ou com o que eu próprio vou fazendo, mas toda a denúncia, todas as críticas e propostas que a associação tem feito resultam de uma base científica e técnica muito sólida", realçou.


A Quercus "prestou, presta e continuará a prestar um serviço muito importante a Portugal e a todos aqueles que olham para o ambiente, não como uma caixinha convenientemente arrumada na lógica dos custos de contexto, mas pelo contrário, no centro do novo modelo de desenvolvimento", resumiu o governante.