Uma mulher de 28 anos acusa o hospital de São João, no Porto, de negligência médica, garantindo que esteve mais de 48 horas à espera que lhe fosse feita uma cesariana.
 
A bebé nasceu em sofrimento e esteve entra a vida e a morte nos cuidados intensivos durante nove dias.
 
Joana Machado chegou ao hospital grávida de 41 semanas e foi internada para indução do parto. Porém, somente dois dias depois acabaria por ser sujeita à cesariana. A mulher diz que o tempo de espera fez com que a recém nascida acabasse por aspirar líquido mecónio, o que ditou a sua transferência para os cuidados intensivos após o parto.
 

“Só quando viram que tinham feito asneira, quando viram sair mecónio, um líquido esverdeado, é que viram que a criança estava em sofrimento e então fizeram uma cesariana em cinco minutos. Entrei às 00:42 e à 01:06 a minha filha estava cá fora”.


A mulher garante que durante as consultas sempre mencionou a vontade de fazer a cesariana, uma vez que já era o segundo parto e no primeiro tinha tido problemas. Para a mãe o mais grave foi a bebé ter sido levada para os cuidados intensivos entre a vida e a morte. Só o pai conseguiu vê-la.
 

“Ele viu-a a ter convulsões, já intubada, a fazer a aspiração, e só mais tarde é que lhe comunicaram que a minha filha ia ser transferida para a neonatologia da maternidade, porque não havia vaga no hospital São João."

“[A bebé esteve entre a vida e a morte]. Aliás, [o hospital] não me dá garantias que ela não tenha sequelas daqui para a frente. Tem de ser seguida frequentemente, fazendo ecografias à cabeça, ao coração…”

  
Joana Machado apresentou queixa no hospital de S. João, na Ordem dos Médicos e na Entidade Reguladora da Saúde.

Em comunicado, o hospital de S. João informa que foram feitos os procedimentos e o acompanhamento habituais. Quando reuniu critérios, nomeadamente a não progressão do trabalho de parto, a parturiente foi submetida a cesariana.