A Marinha já começou a equipar os dois «patrulhas» construídos nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) com os novos sistemas de armamento, encomendados em 2010 por quatro milhões de euros.

A informação foi confirmada esta sexta-feira à agência Lusa pelo porta-voz daquele ramo das Forças Armadas, Alexandre Santos Fernandes, estimando-se a conclusão destes trabalhos, nos dois navios, durante o mês de novembro.

Esta operação, que decorre nos ENVC, incluirá a formação da guarnição com as novas peças de artilharia, mais avançadas tecnologicamente.

O primeiro destes «patrulhas», o NRP (Navio da República Portuguesa) Viana do Castelo, já está ao serviço da Marinha desde abril de 2011 e foi equipado na altura com uma peça de 40 milímetros (mm) BOFFORS, reaproveitada das antigas corvetas.

«Constituiu uma solução temporária para suprir o requisito de armamento dos navios, já que estes sistemas não são adequados aos requisitos de navios modernos, automatizados e com guarnições reduzidas», explicou Santos Fernandes.

Acrescentou que esta solução, devido à «idade e características», envolvia sistemas «obsoletos» e com um «reduzido desempenho», além de colocar «dificuldades na obtenção de munições».

«Oportunamente foi decidido adquirir a peça Marlin-WS de 30 mm, do fabricante Oto Melara, que é estabilizada, garante elevada precisão de tiro e é operada remotamente», sublinhou o porta-voz da Marinha.

O contrato com o fabricante, precisou, foi assinado em 2010, pelo valor de dois milhões de euros por cada peça, que chegaram já este ano à Marinha.

Além do primeiro «patrulha», também o segundo da mesma classe «Viana do Castelo», em fase de acabamento nos ENVC, está a ser equipado com esta nova peça de artilharia, operação que decorre em simultâneo em ambos os navios.

Estes navios foram concebidos como não combatentes mas podem ser utilizados para fiscalização, proteção e controlo das atividades económicas, científicas e culturais ligadas ao mar.

A entrega do NRP Figueira da Foz à Marinha tem sido apontada por fontes dos estaleiros para o final deste ano.

Este primeiro par custou mais de 100 milhões de euros e foi lançado à água em outubro de 2005, na doca dos estaleiros.

A construção do segundo «patrulha» chegou a estar parada durante mais de um ano, até final de 2012, face às dificuldades financeiras da empresa e ao processo, que estava em curso, de reprivatização dos ENVC.

Este primeiro par integra uma encomenda de oito Navios de Patrulha Oceânica feita em 2004 pelo Ministério da Defesa - na altura liderado por Paulo Portas - aos ENVC, para substituir a frota de corvetas, com 40 anos de serviço.

A construção dos restantes seria revogada já pelo atual Governo, através de uma resolução que em 2012 anulou a encomenda aos ENVC dos outros seis «patrulhas» e das cinco Lanchas de Fiscalização Costeira, no valor de 400 milhões de euros.

Com desenho próprio dos estaleiros, estes «patrulhas» têm 83 metros de comprimento, capacidade para receber até 67 pessoas e uma guarnição de 38 marinheiros, além de poderem transportar um helicóptero Lynx.