As buscas pelos três pescadores desaparecidos na sequência do naufrágio de sexta-feira na Figueira da Foz, foram retomadas às 08:30 deste sábado , segundo informação disponibilizada online pela Proteção Civil.

Nas operações participam 11 bombeiros e quatro veículos operacionais.

Os oito tripulantes caíram à água quando uma embarcação de pesca com 15 metros naufragou à saída da barra da Figueira da Foz cerca das 18:20 de sexta-feira.

As equipas de socorro conseguiram resgatar cinco tripulantes, um dos quais se encontra internado nos Hospitais da Universidade de Coimbra com «prognóstico muito reservado», de acordo com a mais recente avaliação clínica divulgada pelo hospital.

Luís Santos, 48 anos, pescador da embarcação «Jesus dos Navegantes», da Póvoa de Varzim, eu entrada no hospital em paragem cardiorrespiratória, mas foi reanimado e estabilizado.

Os restantes quatro resgatados - Francisco Fortunato, 40 anos, mestre da embarcação naufragada, Eurico João, 26, Francisco Ferreira, 31, e António Reijão, 41 anos, - estão bem e já tiveram alta clínica.

Desaparecidos continuam três tripulantes depois de as buscas terem sido interrompidas ao início da noite de sexta-feira, por falta de visibilidade.

Nenhum dos oito tripulantes da embarcação de pesca que naufragou na tarde de sexta-feira na Figueira da Foz usava colete, situação que o comandante do Porto classificou de incompreensível.

«Nenhum pescador usava colete, é uma situação que tem de ser vista. É incompreensível num navio a sair a barra e naquelas condições de mar [agitado]», disse à agência Lusa Rui Amado.

Presente na praia do Cabedelo, situada junto ao local do naufrágio e questionado sobre o assunto dos coletes salva-vidas, José Festas, da Associação Pró-Maior Segurança dos Homens do Mar, disse não conseguir perceber o que aconteceu.

«Não estou a dizer que não deviam usar colete salva-vidas. Mas se o estivessem a usar, se calhar, com o barco a virar, teriam morrido mais [tripulantes], porque com o colete vestido é muito difícil mergulhar», sublinhou.

José Festas aludiu ainda às condições de entrada e saída da barra da Figueira da Foz, após as obras de prolongamento do molhe norte, que lhe deram uma nova orientação (sul-sudoeste) e que obriga, de acordo com o comandante do Porto, a uma "nova forma" de entrar e sair.

«A nova barra foi feita para os navios. Hoje, os barcos de pesca saem completamente de lado, com o vento a dar a saída e entrada está mais perigosa», afirmou José Festas.

As buscas dos três desaparecidos da embarcação Jesus dos Navegantes foram retomadas ao início da manhã, para já, no mar, apenas com recurso à corveta Baptista de Andrade, já que as condições adversas que se fazem sentir não permitem a utilização do salva-vidas da Marinha e outras embarcações da capitania do Porto da Figueira da Foz, adiantou.

A corveta, que começou a operar ao largo da Figueira da Foz ao nascer do dia, deslocou-se, entretanto, à zona do cabo Mondego - a norte do local do naufrágio - para recolher uma balsa que se presume pertencer à embarcação naufragada, indicou Rui Amado.

A barra do porto comercial que estava fechada a toda a navegação foi entretanto reaberta, embora condicionada a embarcações superiores a 35 metros, continuando por aferir o local exato onde o Jesus dos Navegantes está localizado.

Rui Amado precisou que a embarcação naufragou «a 200 metros da barra, precisamente a sul», num local onde a profundidade é de «cerca de 15 a 20 metros», sustentou.

Desde a reabertura da barra, pelo menos três cargueiros já deixaram o porto da Figueira da Foz, tendo um entrado, constatou a Lusa no local.

O comandante do Porto vai começar hoje a ouvir os quatro tripulantes que foram resgatados com vida nomeadamente o mestre da embarcação, para aferir o que aconteceu na altura do naufrágio, reporta a Lusa.