A operação de alcançar o interior do pesqueiro português Santa Ana, naufragado na segunda-feira nas Astúrias, Espanha, poderá demorar ainda vários dias dada a situação do mar, os destroços em torno ao navio e a instabilidade da embarcação.

Fonte do Salvamento Marítimo espanhol disse à Lusa que essa situação «muito arriscada» foi hoje novamente comprovada pelos mergulhadores que realizaram, cerca das 11:30 locais (10:30 em Lisboa), uma imersão de cerca de 40 minutos.

«Comprovaram que está uma situação semelhante à de ontem. Pouca visibilidade, uma operação muito arriscada e que não permite chegar ao navio. Há muitas correntes, o barco movimenta-se muito, há destroços e redes», explicou a fonte.

Segundo esta fonte, o objetivo das imersões - incluindo da que se realizará, previsivelmente, hoje à tarde - é «inspecionar o fundo do navio, para decidir como se dá estabilidade» à embarcação.

«Tem de se fazer essa avaliação, depois tem de se limpar a zona de redes. Isso não se pode fazer hoje. E penso que ainda se vai demorar alguns dias», considerou, referindo, por exemplo, que os mergulhadores deverão realizar um plano topográfico da zona.

«Seguramente a situação vai-se prolongar além desta semana. É uma situação bastante complexa, com perigo extremo para os mergulhadores», disse.

As imersões de hoje estão a ser realizadas por uma equipa de seis mergulhadores do Salvamento Marítimo a que se deverá unir, na quinta-feira, uma equipa de 15 elementos do Grupo de Especialistas em Atividades Subaquáticas (GEAS) da Guarda Civil.

Os especialistas são das unidades da GEAS de Madrid, Valladolid, Cartagena, Huesca e Gijón, segundo informou a Guarda Civil em comunicado.

Entre os especialistas estão membros da Equipa de Mergulho Técnico Avançado a Grande Profundidade, que participou recentemente na recuperação, a 87 metros de profundidade, dos tripulantes de um ultraleve que desapareceu no final de 2013.

Criado em 2010, este grupo altamente especializado é formado por especialistas de várias zonas de Espanha com capacidade para descer até 100 metros de profundidade.

Para isso utilizam garrafas com uma mistura de três gases (oxigénio, nitrogénio e hélio), que lhes permite estar 15 minutos nas zonas mais profundas. Contam ainda com uma câmara hiperbárica móvel e um robot de exploração.

O naufrágio, que aconteceu na segunda-feira, próximo de Cabo Peñas, causou dois mortos, um português e um espanhol, enquanto outros seis tripulantes estão desaparecidos (um português, três espanhóis e dois indonésios). O capitão do navio, de nacionalidade espanhola, foi resgatado com vida e já teve alta hospitalar.

As autoridades espanholas consideram que os seis desaparecidos, entre os quais o português Vítor José Farinhas Braga, poderão estar no interior do navio, já que estariam a dormir no momento do acidente, que ocorreu às 05:30 locais (04:30 em Lisboa) de segunda-feira.