Um grupo de 30 militares deixará o Afeganistão na quarta-feira, pondo fim à participação portuguesa na missão da Força Internacional de Apoio à Segurança (ISAF) naquele país, que contou com 3227 militares portugueses em 12 anos.

Dos 57 militares portugueses que estão atualmente no Afeganistão, 56 na ISAF e 1 no ACCI (Comando Aliado de Contra-Inteligência) cerca de 30 partem quarta-feira de Cabul, devendo chegar a Lisboa na madrugada do dia seguinte, disse à Lusa fonte do ministério da Defesa, que promoverá uma cerimónia oficial de receção no início de dezembro, depois do regresso da totalidade do contingente.

De acordo com a mesma fonte, está ainda a ser analisada a possibilidade de se manterem no Afeganistão alguns militares portugueses, em quartéis-generais da NATO, em missões de assessoria e formação.

A presença de forças portuguesas em território afegão deve-se a uma decisão da Organização das Nações Unidas (ONU), que deliberou, em dezembro de 2001, a criação de uma Força Internacional de Apoio à Segurança, no âmbito do combate ao terrorismo, cujo comando a NATO assumiu.

Portugal iniciou a sua participação na ISAF em 2002. Nesse ano contribuiu com uma equipa sanitária, composta por elementos dos três ramos das Forças Armadas, durante 3 meses e com um destacamento de C-130 durante 4 meses.

Desde então, passaram por aquele teatro de operações 3227 militares portugueses dos três ramos das Forças Armadas, de acordo com o EMGFA, em missões de treino e formação.

As forças portuguesas registaram duas vítimas mortais no Afeganistão, a primeira das quais o sargento João Paulo Roma Pereira a 18 de novembro de 2005 quando o veículo em que seguia passou por cima de um engenho explosivo.

A 24 de novembro de 2007, morreu o soldado paraquedista Sérgio Pedrosa, num acidente de viação, que ocorreu durante a deslocação de uma coluna de viaturas militares a sul de Cabul.

Em 2005, Portugal liderou o grupo de Comando do Aeroporto de Cabul (KAIA), durante quatro meses, enviando um grupo de controladores aéreos avançados da Força Aérea, e deu início à constituição de uma Força de Reação Rápida, com uma companhia de infantaria do Exército, durante três anos.

No ano de 2009 o contingente foi reforçado com a atribuição de assessorar a `Kapital Division´ do Exército afegão, enviando no segundo semestre uma equipa médica para o hospital militar e disponibilizando, em setembro, um destacamento de C-130 em apoio ao processo eleitoral que decorreu naquele país.

Em 2010, a participação portuguesa centrou-se na projeção de um grupo de formadores e instrutores militares dos três ramos das Forças Armadas.

Antecipando o fim da missão da ISAF no Afeganistão, que se extingue oficialmente a 31 de dezembro, o ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco, defendeu em novembro de 2013 que a aliança internacional foi bem-sucedida e que «foi diminuída a ameaça do terrorismo».

No dia 01 de janeiro de 2015 começa uma nova missão da NATO, que não é de combate, mas de treino e aconselhamento às forças afegãs, com a presença de 12 mil membros, designada «Resolute Support».