A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, afirmou que Nadir Afonso, falecido esta quarta-feira, aos 93 anos, «ligava o rigor matemático e a exuberância estética das formas».

«Nadir era o desafio, tão forte como o seu olhar penetrante sobre as coisas», lê-se na mensagem de Assunção Esteves, na qual afirma que «a obra que nos deixa é imensa, como a gratidão que lhe devemos todos».

«Morreu um dos nomes maiores da arte portuguesa dos séculos XX e XXI. Nadir Afonso integra a linhagem dos nossos maiores inovadores e criativos, assim como daqueles que mais profundamente pensaram a sua obra», afirma Assunção Esteves.

Sobre o pintor hoje falecido a presidente do parlamento afirma que foi «um modernista inteiro, desde os anos 1940 que vinha sintonizando a pintura portuguesa com as vanguardas europeias».

«Foi ele quem introduziu no nosso país o abstracionismo geométrico e, mais tarde, a arte cinética. Foi ele, também, quem incorporou na sua obra o contacto e trabalho conjunto com alguns dos maiores espíritos do nosso tempo ¿ entre os seus parceiros e amigos contaram-se Le Corbusier, Niemeyer, Xenákis, Léger ou Vasarely», escreve a parlamentar.

Para Assunção Esteves, Nadir Afonso foi um dos «pintores que desenvolveu, com maior intensidade e justeza, o trabalho sobre a forma das coisas, suportado pela criação de uma gramática de grande pureza e harmonia geométricas».

A presidente da Assembleia da República refere o trabalho de Nadir Afonso como arquiteto, afirmando que ¿nunca desligou a sua arte de uma vigorosa reflexão teórica sobre os pressupostos da criação artística.

Na mensagem de condolências, Assunção Esteves declara que sente «orgulho de com ele haver partilhado momentos de intensa amizade e alegria».

O pintor faleceu esta quarta-feira, no Hospital de Cascais, onde se encontrava internado.

Corpo do pintor em câmara ardente a partir de quinta-feira no Estoril

O corpo do pintor Nadir Afonso, hoje falecido, aos 93 anos, vai estar em câmara ardente na quinta-feira, entre as 17:00 e as 24:00, na Igreja de Santo António do Estoril, anunciou hoje a Fundação com o nome do artista.

De acordo com um comunicado enviado à agência Lusa pela Fundação Nadir Afonso, o corpo estará em câmara ardente na Capela de Emaús, na Igreja de Santo António do Estoril, situada junto à estação ferroviária.

Na mesma igreja será realizada uma missa de corpo presente na sexta-feira, dia 13 de dezembro, às 10:00, seguindo depois o corpo para Chaves, a sua terra natal.

Em Chaves, o corpo do artista ficará em câmara ardente a partir das 17:00 de sexta-feira, na Igreja da Misericórdia, junto à câmara municipal.

No sábado, dia 14 de dezembro, haverá uma missa de corpo presente às 10:00, seguindo depois o cortejo fúnebre para o cemitério de Chaves.