A crise que se vive no país tem tornado mais difícil o apoio às vítimas de violência doméstica e a própria iniciativa de procura de ajuda, disse à Lusa o presidente da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).

João Lázaro encerrou esta sexta-feira as IV Jornadas Contra a Violência Doméstica organizadas pelo Gabinete de Apoio à Vítima de Santarém e nas quais foram debatidos temas como «Intervenção com Agressores Conjugais», «Pessoas Idosas Vítimas de Crime e de Violência» e «Violência Doméstica».

«Apesar de todos os esforços públicos no apoio às vítimas, há a convicção de que, com a situação de crise, muitas situações estão a ser caladas», disse João Lázaro, sublinhando que, mesmo que a intervenção da crise não seja direta, «é claramente um grande dissuasor».

Além do sentimento de insegurança que a situação gera perante a possibilidade de abraçar um projeto de vida novo, sem violência, há um «acréscimo de dificuldade na própria resposta de apoio, nomeadamente nos apoios sociais que antes eram mais fáceis», afirmou.

Sublinhando a necessidade de intensificar as campanhas, porque, apesar de tudo, ainda há respostas, João Lázaro reconheceu que o caminho é hoje mais difícil para se obterem resultados, já que um projeto de vida novo implica autonomização financeira e profissional.

O presidente da APAV saudou a realização das jornadas promovidas pelo gabinete de Santarém da associação, frisando a importância da consciencialização da sociedade portuguesa, um trabalho que permite que atualmente a violência doméstica seja muito menos tolerada. «É um combate que nunca acaba», frisou.

Para João Lázaro, cada caso que surge «só vem tornar mais urgente» o muito que há ainda por fazer.

«Haverá infelizmente sempre situações que não devem acontecer e que deverão levar a uma reflexão sobre o que correu mal e o que pode correr melhor», disse, sublinhando que «muito se tem avançado», na videovigilância, na proteção da vítima, na formação de polícias, na especialização de magistrados, na criação de sistemas mais integrados e mais partilhados com outras parcerias da sociedade civil.

Nas jornadas de hoje participaram especialistas como Rui Abrunhosa Gonçalves e José Ferreira Alves, professores da Escola de Psicologia da Universidade do Minho, Ana Márcia Oliveira, representante do Programa para Agressores de Violência Doméstica e da Direção-Geral de Reinserção Social, e Inês Pimentel, do Serviço de Violência Familiar do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra.