Mudança de sexo: há mais mulheres a quererem ser homens

Esta terça-feira realiza-se a quinta operação em três anos. 45 pacientes estão em lista de espera

Por: Redação / SM    |   4 de Novembro de 2008 às 09:13
O homem que é operado esta terça-feira no Hospital de Santa Maria para mudar o sexo para mulher é o quinto nos últimos três anos a submeter-se a este tipo de cirurgia naquela unidade de saúde, disse o cirurgião João Décio Ferreira.

Segundo disse à Agência Lusa o director do serviço de Cirurgia Plástica do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, realizaram-se nos últimos três anos quatro cirurgias de mudança de sexo de homem para mulher e três do feminino para o masculino.

O especialista referiu que «enquanto de homem para mulher a situação fica resolvida em uma cirurgia, a mudança de sexo de mulher para homem é muito mais demorada e exige uma série de intervenções».

O paciente que hoje é operado no Hospital de Santa Maria, para mudar o sexo de homem para mulher, poderá regressar à sua vida normal dentro de três semanas, disse o cirurgião João Décio Ferreira.

Explicou também que uma semana após a operação o doente volta ao bloco para uma cirurgia rápida, de 10 a 15 minutos, e passados dois dias terá alta clínica. «Três semanas após a operação poderá estar a fazer a vida normal, depende da profissão, se não exigir muito esforço físico», adiantou.

Cirurgia demora quatro a seis horas

A cirurgia de hoje é, segundo João Décio Ferreira, «demorada», entre quatro a seis horas, e terá a colaboração de um cirurgião geral, que vai retirar uma parte ao intestino delgado para ajudar na construção do novo sexo.

Por esta operação ser demorada e causar «muita perda de sangue», outras cirurgias, como o aumento dos seios ou a redução da «mação de Adão» (laringe), são feitas posteriormente.

De acordo com o cirurgião plástico, a operação «envolve a remoção do pénis e dos testículos e a construção da vagina aproveitando a pele do pénis e parte da glândula para fazer o clítoris».

Três anos até poder fazer operação

Até chegar ao bloco operatório, o indivíduo que pretende mudar de sexo tem que fazer um longo percurso, que se prolonga por cerca de três anos.

Inicialmente, passa por uma consulta de Psiquiatria dedicada a este tipo de patologia, consulta que se realiza nos Hospitais de Santa Maria, da Universidade de Coimbra e Júlio de Matos.

«Passado um ano, quando há uma convicção, começa-se a fazer a terapêutica hormonal e depois o doente é enviado a outro centro para confirmar o diagnóstico», disse o cirurgião, adiantando que o processo exige ainda uma autorização da Ordem dos Médicos (OM), sendo o único acto médico no país que carece deste tipo de licença.

Na OM, uma comissão nomeada pelo bastonário analisa todo o percurso clínico do doente e dá o parecer de acordo com as normas internacionais.

O cirurgião explicou, também, que o processo é longo, uma vez que é uma «operação irreversível, não havendo hipóteses de voltar atrás».

Sobre os custos da operação, desconhece o valor nos hospitais públicos, mas adiantou que no sector privado varia entre 15 mil e 25 mil euros.

«Não é muito representativa na despesa total do Hospital de Santa Maria», afirmou, adiantando que apenas tem conhecimento de que o único local do país, em termos de hospitais públicos, onde se faz este tipo de operações é naquela unidade de saúde.

Há mais mulheres a quererem ser homens do que o contrário

Em Portugal e ao contrário do que se passa no resto do mundo, há um maior número de mulheres que querem tornar-se homens: uma média de três casos de mulher para homem e um de homem para mulher.

Como em outras especialidades, a cirurgia de mudança de sexo também tem lista de espera.

O director do serviço de Cirurgia Plástica do Hospital de Santa Maria tem 45 pacientes em acompanhamento: 30 que querem alterar o sexo de mulher para homem e 15 do masculino para o feminino.
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