A hora na União Europeia muda no próximo domingo, quando os relógios atrasarem 60 minutos, passando Portugal a estar alinhado com o tempo universal (tempo médio de Greenwich, TMG) e a viver um dia de 25 horas.

Com a chegada da hora de inverno, os portugueses terão de, na próxima madrugada, atrasar os relógios uma hora, quando forem 02:00. A única exceção é a região autónoma dos Açores, onde o atraso nos relógios acontece à 01:00. Os Açores já têm uma hora de diferença em relação ao continente (menos uma hora).

A partir de domingo e até à chamada hora de verão, quando no último fim de semana de março os relógios adiantarem de novo uma hora, Portugal terá a hora igual ao tempo universal, o que quer dizer que está no fuso horário 0 (igual ao do meridiano de Greenwich, que se convencionou usar como marcador para o tempo), como lembrou à Lusa a astrónoma Suzana Ferreira, do Observatório Astronómico de Lisboa.

A mudança da hora acontece em todos os países da União Europeia no mesmo momento, mas outros países que não fazem parte do grupo dos «28» escolheram seguir as mesmas normas. Na Europa só a Arménia, a Bielorrússia, a Geórgia e a Rússia não atrasam os relógios uma hora no próximo domingo nem os adiantam em março.

Em África, pelo contrário, a hora é inalterável na maior parte dos países. A Líbia é dos poucos que muda, alinhando pela lógica europeia, mas a mudança acontece na última sexta-feira dos meses de março e outubro (e não no último domingo).

Marrocos, Namíbia e Saara Ocidental também têm dois horários, mantendo-se o resto do continente inalterado, o que também acontece com a Ásia, onde apenas cinco países mexem nos relógios: Irão, Israel, Jordânia, Líbano e Síria.

Na Oceânia também apenas a Austrália, Nova Zelândia, Fiji e Samoa têm horários de verão e de inverno, embora no continente americano, especialmente na América do Norte e Central, mais países mudem a hora. Dezena e meia de países da região optou no entanto por deixar de ter hora de inverno e de verão em 2010.

Ainda assim, na América e no mundo são mais os países que não mudam do que os que mudam.

Na Europa a mudança da hora começou na altura da I Guerra Mundial e teve como objetivo o de poupar combustível numa altura em que este era racionado. Atualmente já não há um impacto económico, mas apenas social, já que os horários de trabalho coincidem mais com a luz solar. Ainda assim, a União Europeia reavalia a manutenção dos horários de verão e de inverno de cinco em cinco anos.

Em Portugal, em 1992, o Governo, chefiado então por Cavaco Silva, adotou o horário da Europa central, mas a opção foi muito criticada. Porque no inverno o sol nascia muito tarde e no verão era de dia até depois das 22:00. A partir de 1996, o Governo chefiado por António Guterres repôs a hora antiga.

Hoje a questão não é polémica em Portugal. É certo que os dias vão escurecer mais cedo, mas também é certo que é bom ter mais uma hora na próxima noite. Exceto talvez para quem trabalhe por turnos. A «vingança» chega em março, como conta a Lusa.