Os serviços de emergência e segurança portuguesas estão a testar um projeto-piloto que permite a comunicação entre telemóveis e o SIRESP, adiantou esta quarta-feira um responsável da empresa de comunicações Motorola Solutions.

O projeto começou na primavera e estava previsto durar cerca de seis meses, mas continua ativo, disse o diretor regional de vendas da multinacional norte-americana, Hélder Simões Santos.

O projeto-piloto resume-se ao uso de uma aplicação no telemóvel que funciona como plataforma de integração entre a redes de banda larga e a tecnologia TETRA dos rádios usados atualmente pelas forças de segurança, bombeiros e serviços de emergência médica.

A gestão do teste está a cabo da secretaria-geral do Ministério da Administração Interna, tendo sido criadas mais de uma centena de contas para que os utilizadores normais da rede SIRESP possam instalar a aplicação WAVE nos seus ‘smartphones’ e comunicarem com os rádios.

É uma plataforma que integra as comunicações bidirecionais das redes de banda larga com as comunicações bidirecionais da rede TETRA. Se houver um utilizador que, na sua operação, precisa de ter usar um aparelho LTE pode usar a banda das redes comerciais", explicou.

A aplicação WAVE permite ao utilizador do telemóvel falar em ‘broadcast' [ao vivo] para mais de um utilizador, não dentro da rede de banda larga, mas também dentro do TETRA, tal como fazem os terminais rádio usados pela polícia.

Participam no projeto a Autoridade Nacional de Proteção Civil, Polícia Judiciária, PSP, GNR e INEM.

Este projeto testa uma opção que é um "passo importante na transição a tecnologia para sem perder as funcionalidades têm com os rádios atuais", disse Hélder Simões Santos aos jornalistas portugueses à margem do lançamento do novo Centro de Inovação da Motorola Solutions na capital britânica.

É neste novo espaço que a empresa de telecomunicações tem em demonstração as mais recentes novidades de tecnologia para forças de emergência e segurança pública de todo o mundo.

A Motorola é uma das líderes mundiais em tecnologia de comunicações TETRA [Terrestrial Trunked Radio], usada pelos serviços de emergência e segurança pública pela sua resiliência em missões críticas.

Porém, tem estado a trabalhar em soluções que usem banda larga para que os agentes de polícia possam aceder remotamente a informação, possam usar dispositivos que recolham dados como vídeo e fotografia, e onde possam inserir elementos sobre os seus serviços.

Martyn Parker, da polícia do condado de Lincolnshire, referiu como o uso de novas tecnologias têm aumentado a eficácia dos agentes a resolver incidentes e reduzido o tempo que passam na esquadra.

Eduardo Conrado, vice-presidente executivo e responsável pela estratégia e inovação da Motorola Solutions, adiantou que o futuro está, no entanto, no uso de equipamento no corpo, como sensores, câmaras, e a voz para aceder electronicamente a informação que está em bases de dados.

Nos últimos dois anos, revelou, a multinacional gastou 1,5 mil milhões de dólares (1,25 mil milhões de euros) na aquisição de 10 empresas, além do investimento em ‘startups’ e incubadoras, e 554 milhões de dólares (462 milhões de euros) em Pesquisa e Desenvolvimento.

Em 2016, o volume de negócios alcançou os seis mil milhões de dólares (cinco mil milhões de euros), dos quais 40% correspondem a serviços e 60% a equipamento.

Segundo Conrado, 70% dos clientes operam na área da segurança pública e só 30% são privados.

Austrália, EUA e Reino Unido são considerados os mercados que mais estão a avançar em termos de tecnologia para a segurança pública, uma razão para a Motorola Solutions ter investido e transferido a sede regional da Europa, África e Médio Oriente para o centro de Londres.