Simpatizantes de motocross estarão a utilizar as «zonas de proteção total» do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG) para a prática daquela modalidade, denunciou esta quinta-feira à Lusa uma montanhista de Guimarães.

Maria Carronda afirmou que o caso ocorreu pelo menos no passado dia 25 de outubro na zona de Minas dos Carris e depois em Lamelas de Baixo, em Montalegre, no distrito de Vila Real.

«Fiquei boquiaberta quando me apercebi que andavam três motos por zonas que se me tivessem contado não acreditaria. Cruzei-me com elas e tirei fotografias», disse.

Diretora comercial de uma empresa de calçado, esta montanhista por «paixão» diz que em 30 anos nunca tinha presenciou um caso semelhante.

«Costumo andar lá por cima todos os fins-de-semana e nunca vi nada igual, sobretudo nas Minas dos Carris e em Lamelas de Baixo, na zona mais profunda do Gerês», sustentou Maria Carronda, de 47 anos.

Apesar de várias tentativas, a Lusa não conseguiu contactar o diretor regional do Norte do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), que tutela o PNPG.

Constituído a 08 de maio de 1971, o único parque nacional de Portugal abrange cinco concelhos dos distritos de Viana do Castelo, Braga e Vila Real, em mais de 70 mil hectares de área protegida, habitada por oito a nove mil pessoas. É Reserva Mundial da Biosfera pela UNESCO desde 2009.

Maria Carronda disse ter-se cruzado "várias vezes" com os praticantes de motocross e chegou mesmo a falar com eles.

«Disseram-me que fazem aquilo porque gostam de motos. Contaram-se que já tinham atravessado a Peneda-Gerês toda, que já tinham corrido o Soajo e a Serra Amarela (Viana do Castelo) e agora estavam a tentar fazer a travessia da Portela do Homem (Braga) para Pitões (Montalegre)».

Para a montanhista, o que se passou naquele dia foi um «atentado».

«Não imagina o barulho das motos que nós ouvimos durante horas naquela serra. Se há animais que estão a ser preservados naquela zona, com aquela barulheira não sei», desabafou.

Atualmente, o PNPG tem cerca de 240 espécies de fauna vertebrada identificadas no território e 1.100 de flora, além de 500 sítios de interesse histórico e arqueológico.

Maria Carronda queixou-se da «falta de vigilância» e adiantou que a «fiscalização que existe é mal feita».

«Há 30 anos que caminho naquela serra e só me cruzei duas vezes com guardas. Pelo que me pude aperceber, ao longo destes anos eles fiscalizam mas sempre nos mesmos sítios», afirmou.

Questionada pela Lusa, afirmou não ter reportado o caso às autoridades por «receio» de ser alvo de «penalizações».

«Por vezes há um certo receio de denunciar estes casos diretamente ao PNPG ou ao ICNF. Acabamos nós montanhistas ou pedestrianistas por ser penalizados, porque para passar em certas zonas é necessária autorização do PNPG», acrescentou.