"Já estava à espera que me ligassem." Manuel Vilarinho atende o telemóvel e graceja com o assunto.

"Pois é claro que o meu nome aparece nos Papéis do Panamá. Eu sei que estou lá, sabe o Ministério Público, e sabe o país todo". Ri-se.

O antigo presidente do Benfica (2000 a 2003) diz que teve uma offshore, "mas que isso não é crime".

Constituiu-a porque "cometeu um pecado que está no DCIAP" por causa "de um problema grave" que teve com o Banco Espírito Santo.

"Paguei a bula, como na Sexta-feira Santa, para poder comer carne ao domingo. Não tenho rabos de palha e sou um cidadão cumpridor. Já paguei tudo o que devia."

Manuel Lino Rodrigues Vilarinho, de seu nome completo, surge nos Panama Papers como beneficiário de uma offshore chamada Soyland Limited Liability Company. A Soyland tem sede no estado do Nevada, nos Estados Unidos.

Nos documentos a que o Expresso e a TVI tiveram acesso, há uma troca de emails entre Vilarinho e a sociedade de advogados Mossack Fonseca. Os correios eletrónicos estão escritos em francês e inglês e neles constam certificados de incumbência e o respetivo montante pago pelo empresário português para os mesmos.

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Há, ainda, um anexo com uma notícia de um jornal português, de 2012 - nesse artigo, Manuel Vilarinho aparece associado ao "Monte Branco", a operação que investiga crimes de branqueamento de capitais e de fraude fiscal.

Às tantas, a Mossack Fonseca pede desculpa e pergunta ao antigo dirigente do Benfica o que é o "Monte Branco", porque segue uma política "conhece o teu cliente".