O procurador-adjunto da República na Madeira, Nuno Gonçalves, disse esta sexta-feira que a investigação ao acidente ocorrido na sequência da queda de uma árvore na Festa do Monte, a 15 de agosto, “está a decorrer” e “vai levar algum tempo.”

Sobre o inquérito, o que posso dizer é que a investigação está a decorrer a cargo da Polícia Judiciária (PJ), que, tanto quanto sei, tem uma equipa específica praticamente dedicada à realização destas diligências, que serão muitas, naturalmente”, referiu Nuno Gonçalves à agência Lusa.

O responsável do Ministério Público (MP) adiantou que esta demora se deve à “quantidade de pessoas que têm de ser ouvidas e das diligências a realizar, que são relativamente bastante elevadas”.

Nuno Gonçalves destacou que também existem neste caso “feridos de nacionalidade estrangeira, o que vai prorrogar a inquirição das pessoas mais algum tempo”.

No dia 15 de agosto, há precisamente um mês - no Dia da Assunção de Nossa Senhora, também conhecido por Dia de Nossa Senhora do Monte, padroeira da Região Autónoma da Madeira -, um carvalho de grande porte com 200 anos abateu, no Largo da Fonte, no Funchal, sobre várias pessoas que aguardavam pela passagem da procissão, causando um total de 13 mortos e 49 feridos.

De acordo com o Serviço de Saúde da Madeira (Sesaram), nesse dia deram entrada no Serviço de Urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal, 52 vítimas, três das quais acabaram por morrer, permanecendo ainda internadas três pessoas - um homem, uma mulher e um jovem de 14 anos que deve ter alta nos próximos dias.

Oito das vítimas mortais são do sexo feminino e cinco do masculino uma criança de 1 ano e as restantes com idades entre os 28 e 59 anos. Uma mulher francesa e outra húngara figuram entre os mortos.

A Lusa contactou também a Câmara do Funchal, tendo fonte do gabinete de apoio à presidência do município reiterado que, “neste momento, está em curso o processo de averiguações pelas entidades judiciais competentes”.

A única preocupação da autarquia é que seja esclarecida toda a verdade, por respeito às famílias e a todos os funchalenses”, declarou a mesma fonte.

No dia do acidente, o presidente da Câmara do Funchal, Paulo Cafôfo, afirmou que a autarquia tinha comunicado ao MP que iria fazer uma peritagem, tendo sido constituída uma equipa técnica para o efeito.

Inicialmente, surgiram dúvidas sobre a posse legal do jardim sobranceiro ao Largo da Fonte, onde se encontrava o carvalho, tendo o autarca funchalense mencionado que os terrenos são propriedade da paróquia do Monte.

Contudo, a paróquia veio esclarecer que a parcela onde estava o carvalho que caiu é "desde tempos imemoriais" de acesso livre e público e "não é atribuída a qualquer pessoa coletiva canónica", pelo que “sempre foram os serviços camarários que cuidaram do terreno".

No dia da queda da árvore, a Procuradoria-Geral da República ordenou a instauração de um inquérito, tendo os trabalhos de peritagem sido efetuados por um cientista da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) "com especiais conhecimentos na área da fitossanidade e segurança de árvores, selecionado e nomeado perito para o efeito pelo Ministério Público".

O local, no Largo da Fonte, que é muito visitado por turistas, foi interditado, mas entretanto já está completamente limpo.

Para hoje foram agendadas uma missa e uma vigília em memória das vítimas.