Elementos da PJ e da GNR confirmaram esta quarta-feira que o incêndio que teve início a 20 de agosto de 2013 em Alcofra, concelho de Vouzela, foi o que provocou a morte a quatro bombeiros e ferimentos a outros 13.

Na secção de proximidade de Vouzela decorre o julgamento de Luís Patrick e Fernando Marinho, que estão acusados, em coautoria, de um crime de incêndio florestal, de quatro homicídios qualificados e de 13 crimes de ofensa à integridade física qualificada. Sobre o primeiro, recai também a acusação de condução sem qualificação legal.

Na acusação é referido que, na noite de 20 para 21 de agosto, os dois andaram de mota pela serra a atear vários focos, que resultaram nos incêndios de Alcofra, Meruge e Silvares.

Na terça-feira, Luís Patrick garantiu nada ter a ver com os incêndios. Já Fernando Marinho admitiu que andaram os dois pela serra, tendo o amigo ateado os incêndios de Alcofra e de Meruge e ele o de Silvares (seis focos que se juntaram num só incêndio), com um isqueiro.

O inspetor da PJ José Manuel Silva disse que, desde o início, ficou claro que o fogo que deflagrou às 23:54 de 20 de agosto em Alcofra «foi o que, com os reacendimentos dos outros dias, provocou os dois incidentes», nos dias 22 e 29, em que morreram e ficaram feridos os bombeiros.

O advogado de Luís Patrick lançou a dúvida se as mortes poderiam ter resultado de reacendimentos de outros incêndios que não o de Alcofra, uma hipótese que o mestre do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR António Campos rejeitou.

Segundo António Campos, o incêndio de Alcofra progrediu em direção a Tondela, o de Meruge limitou-se a 0,8 hectares de área ardida e as seis ignições que resultaram no fogo de Silvares «seguiram na direção da Penoita».

«Estes incêndios não se tocaram. O que provocou as vítimas foi o primeiro incêndio», sublinhou.

O depoimento de António Campos deu força às declarações prestadas na terça-feira por Fernando Marinho, que, a 30 de agosto, andou com a GNR pela serra a indicar os locais onde tinha parado com Luís Patrick e que coincidiram com os pontos de ignição previamente identificados.

O mestre florestal contou que, ao chegar junto às torres eólicas de Silvares, onde Luís Patrick lhe terá dito «não és homem não és nada se não chegares fogo às ervas», Fernando Marinho «hesitou um pouco», mas acabou por confessar ter aí ateado seis focos de incêndio.

António Campos realçou que Fernando Marinho foi «apanhado desprevenido» pelos elementos da GNR, em casa, quando ainda estava a dormir, antes de ter seguido com eles numa carrinha para a serra. Acrescentou que o jovem lhe pareceu sincero e que «dava a ideia de que precisava de desabafar».

«Ninguém consegue inventar uma história destas com este pormenor», considerou, acrescentando que tudo o que lhes tinha dito repetiu mais tarde, «rigorosamente», à PJ.