Pelo menos 36 pessoas morreram e 181 ficaram feridas no ano passado em incidentes suspeitos de origem elétrica, revela um estudo divulgado esta terça-feira. que dá conta de ter aumentado o número de mortos e feridos relativamente a 2014.

O estudo, da responsabilidade da Associação Certificadora de Instalações Elétricas (CERTIEL) e com base em notícias publicadas na internet, indica que em relação a 2014 morreram no ano passado mais seis pessoas e ficaram feridas mais 25 pessoas.

A associação ressalva que dos 36 mortos apenas 10 resultaram de acidentes com origem comprovadamente elétrica e diz que os outros 26 casos decorreram de acidentes de causas desconhecidas mas com suspeitas de origem no uso de energia elétrica.

Justifica a CERTIEL que muitos dos acidentes de causas desconhecidas têm uma “evidente relação” com causas elétricas, com 20 por cento dos casos a ocorrerem durante a madrugada e 30 por cento durante a tarde. E depois, acrescenta, a incidência de acidentes é maior durante os meses em que faz mais frio, podendo estar relacionados com a utilização de equipamentos caloríferos.

Segundo a diretora-geral da CERTIEL, Maria João Almeida, “há um paralelismo entre os incêndios urbanos com origem em causas elétricas e os incêndios urbanos com causas desconhecidas, levando à conclusão de que muitos destes últimos tiveram igualmente origem elétrica”. E depois, acrescentou, muitas vezes quando os casos são noticiados ainda não é conhecida a causa do incêndio.

A responsável salienta o elevado número de incidentes envolvendo o sistema elétrico e os aparelhos, põe enfase na prevenção e defende a obrigatoriedade de inspeções periódicas que permitam verificar o estado das instalações elétricas.

O estudo, a que a Agência Lusa teve acesso, dá como garantido que três das mortes registadas em 2015 se deveram a eletrocussão por contacto direto com a corrente elétrica, e diz que dos 275 incêndios registados em habitações 74 foram de origem comprovadamente elétrica e os restantes de “causas desconhecidas”.

Dos 181 feridos 47 (14 deles com gravidade) resultaram de incêndios de origem comprovadamente elétrica e os restantes 134 (24 com gravidade) resultaram de incêndios de causas desconhecidas à altura da divulgação da notícia.

Ainda de acordo com o documento, dos incêndios com origem elétrica ocorridos e noticiados no ano passado mais de metade, 61 por cento, ocorreram em habitações e 24 por cento em estabelecimentos abertos ao público. Os restantes 15 por cento aconteceram em edifícios industriais, em escolas, hospitais ou explorações agrícolas.

Quanto aos incêndios por causas desconhecidas as percentagens são um pouco diferentes: 65 por cento provocaram danos em habitações, 23 por cento em edifícios comerciais, 11 por cento em estabelecimentos abertos ao público e um por cento em edifícios hospitalares.

Como consequência dos incêndios, no ano passado ficaram desalojadas 377 pessoas e foram envolvidos mais de seis mil bombeiros no combate às chamas, “Nos últimos quatro anos, 414 pessoas ficarem sem habitação face a incêndios por uso da energia elétrica”, diz-se no documento.

O estudo “Acidentes de origem elétrica em Portugal” é feito anualmente desde 2011 e os resultados representam “a realidade por defeito” porque muitos dos acidentes relacionados com o uso da eletricidade não são noticiados.

“Dada a inexistência em, Portugal, de avaliação, estudos ou tratamento estatístico oficial dos incidentes com origem nas instalações de utilização de energia elétrica, ao contrário do que se passa com outro tipo de ocorrências como sejam as criminais ou rodoviárias, a CERTIEL, tendo conhecimento do estado de degradação de muitas dessas instalações, potenciador de acidentes graves, tem vindo a realizar, há alguns anos, a análise e algum tratamento estatístico das notícias sobre incidentes desse tipo ocorridos em edifícios”, diz-se na introdução do documento.


E nela se explica também que apenas são considerados incidentes que tenham como origem um curto-circuito, uma sobrecarga, uma avaria de equipamentos ou o contacto direto ou utilização incorreta de aparelhos (ou incêndios que daí decorram).