Notícia atualizada às 10:45

O Ministério Público (MP) arquivou o inquérito à morte de seis jovens na praia do Meco, a 15 de dezembro do ano passado, concluindo ter sido um acidente.

O jornal «Correio da Manhã» (CM), na sua edição online, avança que o caso foi arquivado pelo MP na quinta-feira, enquanto o «Diário de Notícias» (DN) refere que o MP de Almada concluiu que foi um acidente e que não pode ser imputada qualquer responsabilidade criminal ao único sobrevivente da tragédia, João Gouveia, devendo o despacho de arquivamento ser divulgado nos próximos dias.

De acordo com o DN, que cita fontes judiciais, a investigação conduzida pela Polícia Judiciária (PJ) de Setúbal recorreu a todas as diligências, desde a reconstituição dos factos até à inquirição de amigos das vítimas que eram suspeitos de terem estado naquela noite na praia do Meco.

Sem indícios de praxe

Ainda de acordo com o DN, não foi encontrado um único indício de que os estudantes estavam a realizar um ritual de praxe, sentados e de costas voltadas para o mar. Os sete estudantes, incluindo João Gouveia, estariam apenas em convívio, de frente para o mar, quando foram levados por uma onda que terá atingido mais de três metros de altura. João Gouveia também foi arrastado pela onda, mas conseguiu sair.

A hipótese de ingestão excessiva de álcool, que poderia ter diminuído a capacidade de reação dos jovens, também caiu por terra com a investigação, depois da autópsia ao corpo de Tiago Campos, a primeira vítima a ser recuperada. O exame revelou uma taxa de 0,5g/litro de sangue. Um valor que o impediria de conduzir, à luz da lei portuguesa, mas que não é suficiente para um estado total de falta de discernimento face ao perigo.

O jornal escreve ainda que procurador de Almada, Moreira da Silva, pediu vários exames técnicos e perícias, que incluíram uma análise científica às ondas no Meco naquela noite de 15 de dezembro. Concluiu-se que apresentavam um intervalo de 15 segundos e uma altura aproximada de três metros, embora pudessem atingir quatro, cinco ou mesmo seis metros.

Pais vão recorrer da decisão

Fonte policial disse recentemente à agência Lusa que o processo de investigação já tinha sido entregue pela PJ ao MP «há alguns dias», sem que tivessem sido encontrados indícios de qualquer crime, mas ressalvou a possibilidade de o procurador titular do processo vir a entender serem necessárias mais diligências.

O pai de uma das vítimas adiantou que pretende recorrer da decisão.«Surpresa não foi. Já devia ter sido há mais tempo, mas nós [pais] avançámos com um processo contra João Gouveia e terceiros. Nós vamos recorrer», disse António Soares, pai de Catarina Soares, uma das jovens que morreram na praia do Meco em dezembro do ano passado.

O advogado das famílias das vítimas do Meco, Vítor Parente Ribeiro, disse à agência Lusa que ainda não foi notificado do arquivamento do processo, mas que, a ser verdade, irá recorrer da decisão.

«O correio de hoje já chegou e não temos qualquer notificação do Tribunal de Almada. Até ao momento continuamos como estávamos há cinco meses, sem qualquer conhecimento de elementos do processo», disse Vítor Parente Ribeiro.

Vítor Parente Ribeiro avançou que, se a notícia se confirmar, irá «requerer a abertura de instrução» do processo, admitindo não ter ficado surpreendido com a decisão.

«O MP partiu para este processo com esta convicção e ideia formada. Quando isto acontece é muito complicado depois alterar as conclusões do processo. [A investigação é feita] em função de uma conclusão antecipadamente determinada», frisou o advogado.