Durante oito horas, a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Évora esteve sem operar, por falta de gente, e não conseguiu socorrer um doente em paragem cardiorrespiratória, que acabou por morrer.

Fonte do gabinete de comunicação do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE) disse à agência Lusa que a VMER não esteve operacional no turno entre as 08:00 e as 16:00, por falta de recursos humanos.

Não é caso único

Este é o terceiro caso conhecido, envolvendo vítimas mortais, em que a VMER de Évora está indisponível quando é solicitada para uma situação de emergência, depois de, em abril deste ano, não ter participado no socorro a dois homens que sofreram um acidente, perto de Reguengos de Monsaraz, e que acabaram por falecer.

Também no dia 25 de dezembro de 2013, a VMER estava inoperacional quando um acidente na Estrada Nacional (EN) 114, entre Évora e Montemor-o-Novo, que envolveu dois automóveis e um cavalo, provocou quatro mortos e quatro feridos graves.

O que aconteceu desta vez

No caso de ontem, a fonte hospitalar indicou que «não tendo sido possível garantir a operacionalidade» da VMER, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) foi informado para que pudesse ativar os outros meios disponíveis na área.

A mesma fonte garantiu que a unidade hospitalar «tem feito, até à data, todos os esforços» para «completar todos os turnos e garantir a maior operacionalidade possível da VMER».

A corporação dos bombeiros de Évora também foi chamada, na terça-feira de manhã, para «uma paragem cardiorrespiratória, num bairro limítrofe da cidade», indicou o adjunto do comando dos Bombeiros de Évora, João Caraça.

«Ao chegarmos ao local, verificámos que era de facto uma paragem cardiorrespiratória e pedimos apoio diferenciado, mas o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) informou-nos que iniciássemos manobras e que transportássemos a vítima para o hospital».

O responsável adiantou que elementos da corporação transportaram o homem de 64 anos em paragem cardiorrespiratória «até ao hospital em manobras» e que, passado algum tempo, foram «informados que a vítima tinha falecido».

«Pessoas não podem escolher hora para ter um acidente

Também em declarações à Lusa, a porta-voz do Movimento de Utentes de Serviços Públicos (MUSP) do distrito de Évora, Lina Maltez, lamentou a inoperacionalidade da VMER, uma situação que considerou «recorrente».

«Infelizmente, as pessoas não podem escolher a hora a que a VMER está operacional para terem acidente ou um problema de saúde grave», afirmou, realçando que o movimento já alertou várias vezes para esta situação, mas, «aparentemente, nada continua a ser feito».

Considerando que a inoperacionalidade da VMER resulta «certamente do corte de verbas», a porta-voz do MUSP do distrito de Évora alegou que «o Governo corta no setor da saúde e, depois, não há dinheiro para contratar os médicos que possam prestar o serviço na viatura».