O ex-ministro das Finanças e antigo dirigente do Banco de Portugal Manuel Jacinto Nunes morreu esta segunda-feira, em Lisboa, aos 88 anos, vítima de doença prolongada, disse à Lusa fonte próxima da família.

Jacinto Nunes estava hospitalizado há cerca de uma semana.

O economista liderou o Banco de Portugal logo a seguir ao 25 de Abril de 1974 e ocupou a pasta das Finanças e do Plano no final da década de 1970.

O Presidente da República, Cavaco Silva, lembrou o «invulgar sentido ético de serviço público» de Manuel Jacinto Nunes, antigo vice-primeiro-ministro.

«Dotado de um invulgar sentido ético de serviço público, desempenhou altas funções no Estado, destacando-se sempre pela sua inteira dedicação a Portugal, designadamente enquanto vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças do IV Governo Constitucional, enquanto Governador do Banco de Portugal e como presidente da Caixa Geral de Depósitos», lê-se na mensagem de condolências.

A mensagem enviada por Cavaco Silva à família de Jacinto Nunes foi divulgada no sítio da internet da Presidência da República.

«Nunca almejou cargos e honrarias, não ambicionou a fama ou protagonismo. Serviu Portugal com discrição e lucidez, com o olhar sereno de quem observa a realidade a partir de um ponto de vista mais elevado, porque mais sabedor e mais independente», afirmou Cavaco Silva.

O Chefe de Estado lembrou Jacinto Nunes como «académico de exceção, mestre de gerações» que se distinguiu «como um dos mais notáveis economistas portugueses do século XX, aliando a profundidade e o rigor do seu saber a uma admirável integridade de carácter».

«Possuidor de uma vasta cultura humanística, presidiu à Academia das Ciências de Lisboa e foi membro de diversas sociedades científicas, deixando em todos os que tiveram o privilégio de o conhecer a marca e a recordação do valor da civilidade e da afabilidade nas relações humanas. A sua memória deve constituir um exemplo para todos os Portugueses», declarou.

«Um cidadão único»

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, também lamentou hoje a morte do economista e antigo ministro das Finanças Manuel Jacinto Nunes afirmando que «o país perdeu um cidadão único, marcante para várias gerações de portugueses».

«Manuel Jacinto Nunes soube, com o rigor e com a vasta formação técnica e humanística que todos lhe reconheceram, dar um contributo determinante para a consolidação das estruturas do Portugal democrático em que hoje vivemos, desde o 25 de Abril de 1974 até aos anos mais recentes», lê-se numa nota de Pedro Passos Coelho enviada à agência Lusa.

«O país perdeu assim um cidadão único, marcante para várias gerações de Portugueses, e todos devemos prestar à sua memória, nesta hora de recolhimento, uma sincera homenagem», afirma o chefe do executivo PSD/CDS-PP.

«Deixa-nos um exemplar percurso de vida, entregando-se sempre com um elevado sentido do serviço público e um lúcido conhecimento da realidade nacional à sua prestigiada carreira académica, às altas funções governativas que desempenhou em diversas ocasiões», considera.

A nota enviada à agência Lusa refere que Pedro Passos Coelho apresentou em nome do Governo e a título pessoal condolências à família de Manuel Jacinto Nunes.

Atualizado às 19:55