O escultor e professor Jaime Azinheira morreu esta segunda-feira de madrugada no Porto, confirmou à Lusa a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, instituição onde deu aulas até 2005.

Nascido em Peniche em 1944, Jaime Miranda Azinheira formou-se em Escultura na Escola Superior de Belas Artes do Porto em 1980, com 16 valores, segundo a biografia disponibilizada pela Universidade do Porto.

Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, começou a dar aulas em 1979, inicialmente de ensino preparatório e depois nas Belas Artes do Porto, onde veio a fazer o seu doutoramento.

“Este artista produz esculturas de vincado desenho, feitas em materiais normalmente frágeis e com uma técnica original de moldagem, criando singulares e cenográficos objetos artísticos, muito expressivos, volumosos e até mesmo monstruosos, mas profundamente humanos”, pode ler-se na página de antigos alunos ilustres da Universidade do Porto.


Já a biografia patente no museu Amadeo de Souza-Cardoso refere-se a Jaime Azinheira como um artista que “ocupa na escultura portuguesa um lugar original, quer pelos materiais que trabalhou, quer pelas situações: gessos de grandes dimensões, peças em papel e polivinilo, servindo figuras pitorescas e caricatas em situações quotidianas, tão poéticas quanto trágicas”.

O escultor fez também “cenografias destinadas a peças de teatro, como as de Carlo Gozzi e Boris Vian, para os Comediantes do Porto e para o TEUC (Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra), respetivamente, e protagonizou o filme 'Saudade', para a RTP, sobre o mestre Soares dos Reis, integrado na série 'Outonos' e dirigido por Francisco Manuel Manso Gonçalves de Faria”.

Participante em diversas exposições e bienais, recebeu o prémio de escultura na IV Bienal de Cerveira e o prémio Garrett de Teatro pela cenografia da peça “Pássaro Verde”, dos Comediantes do Porto.

“Encontra-se representado na Biblioteca-museu de Vila Nova de Gaia, na Casa-Museu Teixeira Lopes, em Vila Nova de Gaia, na Fundação de Serralves, Porto, no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, na Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira, no Clube Náutico Caminhense e em coleções particulares”, acrescenta a mesma biografia.

O corpo do escultor vai estar em câmara ardente na capela da Igreja das Antas, no Porto, até às 22:00 de hoje