O artista plástico David de Almeida, 69 anos, faleceu na madrugada de hoje no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, vítima de doença prolongada, disse à agência Lusa fonte da família.

De acordo com a mesma fonte, o corpo do artista estará a partir das 11:30 de sexta-feira na Basílica da Estrela e o funeral realiza-se no sábado para o Cemitério do Alto de S. João, onde será cremado às 14 horas.

David de Almeida, segundo a família, estava internado há cerca de três meses, mas antes de ter dado entrada no hospital ainda trabalhou ativamente na preparação de uma exposição que inaugurou em agosto deste ano na Biblioteca Nacional, em Lisboa, com obras inéditas.

A exposição - que estará patente até 23 de outubro - intitula-se "A Ética da Mão", e constitui uma retrospetiva do trabalho de gravura de David de Almeida, cujo percurso artístico se destacou nesta área.

Galardoado em 2008 com o Prémio Internacional de Gravura Jesus Núñez, atribuído pelo Centro Internacional da Estampa Contemporânea (CIEC, em Espanha), David de Almeida está representado em espaços públicos de diversos países, nomeadamente em Portugal, no Brasil e em Macau.

Nascido em 1945, em São Pedro do Sul, David de Almeida frequentou a Escola António Arroio, onde fez o Curso de Gravador Litógrafo e a Gravura - Cooperativa de Gravadores Portugueses, onde estudou sob a orientação de Maria Gabriel.

Como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian estagiou nos Moinhos do Vale de Lagat, em França, e também com Stanley Hayter no Atelier 17, em Paris, começando a expor individualmente em 1976.

Está representado em coleções nacionais (Biblioteca Nacional e Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian) e internacionais: na Bélgica (Museu do Pequeno Formato de Couvin), Brasil (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro), Espanha (Calcografia Nacional de Madrid), Estados Unidos, Macedónia, Marrocos, Iraque e Suécia.

Além do prémio conquistado em 2008 em Espanha, recebeu o Prémio Nacional de Gravura (1980), Prémio de Pintura na Bienal Internacional de Bagdad (1987), Prémio de Gravura na Bienal da Amadora (1992), entre outros.

Na exposição patente na Biblioteca Nacional são apresentadas as obras que foram Prémio Nacional de Gravura da Fundação Gulbenkian em 1980 e várias gravuras premiadas desde então, muitas delas nunca antes expostas em Portugal.