A historiadora Maria de Fátima Patriarca, autora de obras como "A questão social no Salazarismo" e "Sindicatos contra Salazar”, morreu hoje em Lisboa, disse à Lusa fonte do Instituto de Ciências Sociais (ICS), da Universidade de Lisboa.

Segundo a mesma fonte, o velório da historiadora, que era investigadora jubilada do ICS, realiza-se no sábado, na basílica da Estrela, onde é rezada missa de corpo presente às 18:00.

No domingo, o funeral sai da basílica pelas 09:00, em direção a Rio de Mouro, no concelho de Sintra, onde se realiza a cerimónia de cremação.

Maria de Fátima Patriarca nasceu há 72 anos, na freguesia de Couço, no concelho ribatejano de Coruche, formou-se pelo Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa, em 1967, e licenciou-se em Sociologia, pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, em Lisboa, em 1980.

Fátima Patriarca frequentou, entre 1970 e 1972, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian equiparada ao Instituto de Alta Cultura, o "3ème Cycle" na École Pratique des Hautes Etudes, em Oaris, tendo obtido o "Diplôme d’Etudes Approfondies en Sciences Sociales (DEASS)".

Apresentou a dissertação para agregação como investigadora do ICS, em 1992, sob a orientação de Adérito Sedas Nunes, que versava o “Processo de implantação e lógica e dinâmica de funcionamento do Corporativismo em Portugal – os primeiros anos do Salazarismo e a prova complementar Sindicatos e luta social no regime corporativo – dos anos 50 a 1974”.

Em 1992, entrou para o quadro do Instituto de Ciências Sociais, como investigadora auxiliar e, em 1999, passou, após concurso público, a investigadora principal do ICS, tendo em outubro de 2005, passado ao estatuto de Jubilada.

Segundo o ICS, as suas áreas de investigação eram, primeiro, em Sociologia Industrial e, depois, em História Social.

No ICS, com a investigadora Maria Filomena Mónica, criou o Arquivo Histórico das Classes Trabalhadoras, que se designou posteriormente Arquivo de História Social do ICS, do qual foi responsável científica entre 1999 e 2005.

Fátima Patriarca foi membro do Conselho de Redação do Boletim de Estudos Operários, publicação bianual do ICS (1982-1987), e, em 1989, foi representante eleita dos investigadores do ICS à Assembleia Constituinte da Universidade de Lisboa.

Entre outras funções, e segundo informação na página do ICS na Internet, fez parte do Conselho de Redação da revista Análise Social e da Imprensa de Ciências Sociais sob a direção de António Barreto.

A investigadora, segundo o ICS, realizou um projeto de investigação sobre "Sindicatos e lutas sociais nos últimos anos do Regime Corporativo", participou no projeto de investigação de Manuel de Lucena, sobre o "Processo de descolonização", e no de Luís Salgado de Matos, António Matos Ferreira e Maria Lúcia de Brito Moura, sobre "As relações entre Estado e Igreja, os cardeais".

Assinala o ICS que Fátima Patriarca publicou múltiplos artigos, de que se destacam "Os operários na revolução","Taylor no Purgatório. O trabalho operário na metalomecânica pesada", "O triângulo corporativo. Acta e encenação de um despacho salarial (1946-47)", entre outros.

Participou em obras coletivas, designadamente "A revolução e a questão social, em Portugal, e a transição para a Democracia (1974-1976)", coordenada por Fernando Rosas, "Greves" e "Revolta do 18 de Janeiro de 1934", no Dicionário de História de Portugal, coordenado por António Barreto e Maria Filomena Mónica, e "Estado social: a caixa de Pandora", em "A Transição Falhada. O Marcelismo e o Fim do Estado Novo (1968-1974)", coordenado por Rosas e Pedro Aires Oliveira.

Fátima patriarca foi a coordenadora científica da exposição "1936 – 70 anos depois. Memória e História. Tarrafal e Guerra Civil de Espanha", que esteve patente na Torre do Tombo, em Lisboa, de 27 de outubro de 2006 a 31 de janeiro de 2007.