Notícia atualizada

O presidente do Governo açoriano ordenou a realização de um inquérito ao caso do homem de São Jorge que a Força Aérea não transferiu para o hospital, sublinhando que o aeroporto daquela ilha opera voos de emergência noturnos.

Segundo um comunicado enviado à Lusa pelo gabinete de Vasco Cordeiro, o presidente do executivo regional determinou a abertura de um inquérito «para apurar, de forma rigorosa», as circunstâncias relativas à não transferência para o hospital de Ponta Delgada de um homem ferido na tourada à corda na ilha de São Jorge, no último sábado e que acabou por morrer.

Homem colhido por touro morre à espera de transporte

«Os dados atualmente disponíveis permitem assegurar que a certificação ou não do aeródromo de São Jorge para operação noturna releva para a operação comercial noturna, mas não releva para voos de emergência de evacuação aeromédica, como aquele que era imprescindível no caso vertente e que não foi realizado», acrescenta o mesmo texto.

O executivo salienta «que não está em causa o empenho e esforço que os militares da Força Aérea prestam às populações» das ilhas açorianas, no entanto, acrescenta que «este inquérito pretende esclarecer, entre várias questões, se se confirma ou não que, durante algum tempo, os Açores ficaram desprovidos de quaisquer meios da Força Aérea Portuguesa para a eventualidade de evacuações aeromédicas».

O comunicado hoje divulgado confirma que o homem deu entrada no centro de saúde de Velas às 18:15 de sábado, tendo-lhe sido diagnosticado «um traumatismo craniano grave e, consequentemente, foi decidida a sua evacuação aeromédica» para o hospital de Ponta Delgada.

«Por intermédio do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, foram desencadeados, de imediato, os procedimentos e contactos necessários, nomeadamente com a Força Aérea Portuguesa, entidade responsável por esse tipo de evacuações, o que não chegou a acontecer», lê-se no texto.

Segundo disseram no domingo à Lusa autoridades locais, o helicóptero militar usado para estas situações não estava disponível quando foi recebido o pedido de Velas, por estar a ser usado noutra operação, na Madeira, e foi então tentada outra solução, o envio de um avião C295, mas a Força Aérea alegou que o aeroporto de São Jorge «não é certificado».

Sempre segundo as mesmas fontes, a Força Aérea disponibilizou-se para ir buscar o homem à vizinha ilha do Pico, por o aeroporto ter outra certificação. As autoridades ainda desviaram o percurso de um dos barcos que ligam as ilhas do grupo central dos Açores para fazer a transferência do doente de São Jorge para o Pico, mas o homem acabou por morrer antes de embarcar.

A Força Aérea explica o que aconteceu e lamenta morte de homem.

Nos Açores, apenas três das nove ilhas do arquipélago têm hospital. Em caso de urgência, é a Força Aérea, que tem uma base nas Lajes, na ilha Terceira, que garante a transferência dos doentes.