O Ministério Público (MP) arquivou o inquérito instaurado na sequência da morte de um homem no Hospital de S. José, em Lisboa, em dezembro último, após ter esperado seis horas para ser atendido nas urgências, anunciou esta sexta-feira o MP.

De acordo com a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL), verificou-se que o estado do Serviço de Urgência do Hospital de São José naquele dia não permitiu, objetivamente, aos médicos ou enfermeiros de serviço, dar resposta a todos os casos.

Assim, adianta o MP, criaram-se “situações de objetivo desconhecimento dos casos concretos, o que inviabilizou a imputação de qualquer responsabilidade criminal”.

Segundo a investigação, no dia 26 de Dezembro de 2014, data da ocorrência, o fluxo de doentes nas urgências atingiu 509, quando o habitual era na ordem das 435.

“Não foi possível atribuir relevância penal ao conjunto de elementos clínicos recolhidos, incluindo a autópsia, por essa razão”, concluiu o Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa (DIAP), que arquivou os autos por inexistência de indícios da prática de crime.

Logo após a morte do paciente, o Hospital de São José abriu um inquérito, para apurar as circunstâncias que levaram a que o doente estivesse seis horas à espera para ser atendido nas urgências.

Horas antes do sucedido, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses tinha denunciado a situação caótica nas urgências do São José.

Também o Bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, declarou, então, não ter ficado surpreendido com a notícia, alegando que os critérios de triagem dos doentes são falíveis e sublinhando que os hospitais têm de ter capacidade de resposta.