O diretor das Urgências do Centro Hospitalar do Algarve , Carlos Godinho, disse esta terça-feira que o serviço não é capaz evitar mais casos como o do doente que morreu com um AVC, em dezembro do ano passado.

O homem de 74 anos tinha diagnóstico de AVC isquémico e foi transferido do Hospital de Faro para o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, onde acabou por morrer, no dia 28 de dezembro.

Uma auditoria do Tribunal de Contas (TdC), conhecida na passada quinta-feira, apontou múltiplas falhas na assistência ao doente.

Esta terça-feira, em audição parlamentar da Comissão de Saúde, onde foram ouvidos os diretores do Centro Hospitalar do Algarve, o responsável pelas Urgências, Carlos Godinho, não garantiu que a situação não se voltasse a repetir, devido à falta de profissionais.

"Não estamos aptos para evitar que estes problemas se repitam. Estamos a tentar, mas enquanto aqueles médicos que estão no balcão tiverem de atender dezenas e dezenas de utentes... Depois chega o que é realmente urgente, às quatro da manhã, e já não têm cabeça", afirmou Carlos Godinho.

O responsável disse não estar preocupado com os elevados tempos de espera, com muitos dos doentes que estão nas urgências.

"Há doentes que se lembram de ir às urgências e estão muito tempo à espera, mas esses não me preocupam. Agora, os que são realmente urgentes é que me preocupam", sustentou.

O Centro Hospitalar do Algarve realizou um inquérito, que acabou por ser arquivado, mas o Tribunal de Contas disse ter detetado "diversas insuficiências organizacionais e procedimentos".

Na sua auditoria, o TdC descreve um erro na triagem do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM): "O não registo, pelo INEM, de queixas relevantes apresentadas pelo doente, aquando da chamada de emergência, que pode ter implicado um atraso no atendimento, em cerca de seis horas".

Entendeu o Tribunal de Contas que o registo completo da informação pelo CODU poderia ter resultado no seu encaminhamento direto para o serviço de urgência de Faro, o que não aconteceu, tendo o doente sido enviado inicialmente para as urgências de Vila Real de Santo António.

Também não foi disponibilizado atempadamente transporte entre as urgências de Vila Real de Santo António e Faro, "induzindo o doente a deslocar-se por meios próprios", sendo levado no carro de um familiar.

Já na urgência de Faro, a auditoria do TdC diz que os tempos de espera foram excessivos: 25 minutos, para a triagem, uma hora e meia até ao atendimento clínico, e três horas e meia, para realização de meios complementares de diagnóstico.

Ou seja, entre a triagem na urgência de Faro e a observação presencial por um médico neurologista, passaram mais de cinco horas.

Houve depois ainda incumprimento da rede de referenciação e demora no hospital para onde enviar o doente, passando cerca de uma hora entre a decisão de o transferir e a escolha do hospital.