Mais de metade das mortes em Portugal são causadas por cancros e por doenças cardiovasculares, com os tumores malignos a registarem um aumento nos últimos anos, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

O boletim do INE sobre saúde, divulgado a propósito do Dia Mundial da Saúde, que se assinala esta segunda-feira, mostra que, entre 2002 e 2012, os casos de cancro aumentaram e ultrapassaram os 23% no total das causas de morte.

Só em 2012, morreram uma média de 70 pessoas por dia em Portugal por tumores malignos e, em 10 anos, a taxa bruta de mortalidade aumentou 14,1%.

Já as doenças do aparelho circulatório representaram no último ano analisado mais de 30% do total dos óbitos no país. Ainda assim, a taxa bruta de mortalidade destas doenças diminuiu 21%.

Com peso relevante no total de mortes surgem também as doenças respiratórias e a diabetes, representando, respetivamente, 13% e 4,5% dos óbitos totais.

Nestes dois tipos de doenças, Portugal regista uma «situação mais grave do que a observada ao nível da União Europeia a 28».

Aliás, na década estudada, as doenças respiratórias apresentaram um crescimento continuado no total de óbitos: 8,6% entre 2002 e 2004 e 11% entre 2005 e 2010.

Comparativamente, ao nível europeu verificou-se uma estabilização da proporção destas mortes entre 2002-2010, numa variação entre 7,5% das mortes e os 8%.

O mesmo boletim do INE mostra que o atendimento em serviço de urgência quase duplicou numa década nos hospitais privados, que registaram também um reforço do número de camas de internamento, ao contrário dos hospitais públicos que perderam três mil camas.