O historiador Humberto Baquero Moreno, de 80 anos, morreu no domingo, no Porto, e o velório realiza-se hoje na igreja de N.S. da Boavista, nesta cidade, disse à Lusa a presidente da Academia Portuguesa da História (APH).

O funeral do historiador realiza-se na terça-feira às 14:15, seguindo-se a cerimónia de cremação, não tendo a mesma fonte revelado o local.

Segundo uma bibliografia, coordenada pelo historiador Luís Carlos Amaral, Baquero Moreno é autor de pelo menos 14 livros e 239 artigos, sendo apontado como um especialista da Baixa Idade Média, área de estudo que estabeleceu logo na sua tese de doutoramento que foi sobre a Batalha de Alfarrobeira (1449), defendida na Universidade de Lisboa, e que passou com distinção e louvor.

Natural de Lisboa, Baquero Moreno iniciou a carreira como professor no Liceu Camões, na capital, entre 1961 e 1963.

«Durante este período a investigação no Arquivo Nacional da Torre do Tombo foi uma constante e nunca descurada”, afirma a historiadora Maria Fernanda Ferreira Santos, numa síntese biográfica do autor de “Homens, doutrina e organização 1139-1414. História da Marinha Portuguesa».

Em dezembro de 1963 Baquero Moreno começou a lecionar nos Estudos Gerais Universitários de Moçambique, mais tarde Universidade de Lourenço Marques (atual Maputo). Entre 1966 e 1968 como bolseiro investigou em arquivos nacionais, espanhóis, franceses, italianos e belgas

Em 1975, Moreno ingressou nos quadros da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde permaneceu até 2000. Tendo neste estabelecimento de ensino desempenhado, entre outras funções, as de presidente do conselho diretivo, do conselho científico e coordenador da secção de História.

Paralelamente, foi também docente na Universidade Portucalense, onde desde 1993 era o coordenador do Mestrado de História da Idade Média.

«A sua atividade pedagógica não se limitou à sala de aulas. Em qualquer local e a qualquer momento nunca Baquero Moreno se esquivou a dar um conselho, a esclarecer uma dúvida, a fornecer uma informação», sublinha Santos Ferreira.

A historiadora realça, no mesmo texto, «o seu à-vontade [e] a facilidade de improvisação» e conta que para «tornar as aulas mais vivas», recitava poemas.

O historiador realizou várias conferências em universidades estrangeiras e esteve ligado a diversas instituições além da universidade, nomeadamente ao Instituto Nacional de Investigação, na área das Ciências Humanas, ao Arquivo Distrital do Porto, do qual foi diretor em diferentes fases, e ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo, que também dirigiu, nomeadamente entre 1988 e 1990.

Baquero Moreno era sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa, membro da Academia de Marinha e da APH, entre outros institutos e associações, como a dos Amigos dos Castelos.

A sua atividade de historiador valeu-lhe vários galardões, entre eles, o Prémio Augusto da Costa Veiga, da APH.

Em 1994 foi agraciado pelo Presidente da República com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e no ano seguinte condecorado pelo Brasil com a Ordem de Mérito de Tamandaré.

Segundo a sua biógrafa, Baquero Moreno ocupou «um lugar de relevo no panorama científico e cultural não só no país como no estrangeiro».