O pintor João Nascimento, de 71 anos, autor dos murais da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, morreu esta sexta-feira em Lisboa, informou à agência Lusa fonte próxima da família.

Natural de Portimão, João Nascimento, é apresentado, no Dicionário de Pintores e de Escultures Portugueses, de Fernando de Pamplona, como um «pintor neofigurativo e por vezes abstratizante».

Estudou em Lisboa, onde se fixou, e em Paris, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, duas das cidades onde expôs individualmente, assim como em Madrid, Barcelona e Porto.

«A sua obra está representada em várias coleções particulares e em diversos equipamentos, entre os quais, a Pousada de Estremoz», disse à Lusa José Manuel dos Santos, diretor Cultural da Fundação EDP, e seu amigo. «Ele era considerado próximo do hiperrealismo e do novo realismo europeu», acrescentou.

João Nascimento desenvolveu também atividade como arquiteto e designer de interiores, tendo projetado e remodelado «vários espaços de referência - restaurantes, bares e hotéis - e assinou diversos projetos de exposições e acontecimentos, tanto em Portugal como no estrangeiro», lembrou José Manuel Santos.

Um dos exemplos dados foi o núcleo expositivo da Torre de Belém, em Lisboa, no âmbito da XVII Exposição de Arte Ciência e Cultura, a exposição «Fernando Pessoa, Todos os Dias São Meus», que esteve apresentada na Cidade do México, e as cerimónias de entrada das urnas de Amália Rodrigues, Manuel de Arriaga e Aquilino Ribeiro no Panteão Nacional.

De 1996 a 2006, João Nascimento foi responsável, no Palácio de Belém, em Lisboa, pelos projetos de remodelação de Salas de Aparato e de musealização da antiga capela.