A adesão à greve dos trabalhadores dos museus, palácios, monumentos e sítios arqueológicos, tutelados pelo Ministério da Cultura, rondou os 55%" esta sexta-feira, segundo disse à agência Lusa um dirigente sindical.

Artur Sequeira, da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS), em declarações à Lusa, disse que "a greve em termos nacionais rondou os 55%, tendo sido encerrados os museus nacionais Soares dos Reis, no Porto, de Arqueologia, em Lisboa, o Museu Proença Tavares Júnior, em Castelo Branco, e ainda o Convento de Cristo, em Tomar".

A Direção-Geral do Património Cultural confirmou à agência Lusa que os museus Soares dos Reis e o de Arqueologia, assim como o convento em Tomar, estiveram encerrados e, acrescentou que esteve também fechado o Museu Nacional de Grão Vasco, em Viseu, e, parcialmente, o Mosteiro de Alcobaça.

O Museu Francisco Tavares Proença Júnior, criado em 1910, faz parte da Rede de Museus e Equipamentos Culturais do Município de Castelo Branco, desde 01 de setembro de 2015, no âmbito do Contrato Interadministrativo de Delegação de Competências do Governo.

Artur Sequeira reafirmou à Lusa os objetivos da greve, cujo segundo dia e último dia é cumprido no sábado, nomeadamente, a oposição à "municipalização dos museus, que visa espartilhar a política da cultural e é anti-constitucional".

Turismo não se reflete

Outra crítica dos sindicatos é a “falta de reflexo das receitas do turismo” na atividade, apesar dos turistas "irem muito" para esta área.

O crescimento do turismo não se tem refletido num investimento na cultura", afirmou.

Outra razão da greve é a ausência de resposta do Ministério da Cultura às reivindicações dos sindicatos, nomeadamente a abertura da "carreira especial, com conteúdo funcional", "o baixo rácio de pessoal, para aquilo que os museus necessitam, e que o Governo passados dois anos [de entrar em funções], não deu resposta", e, ainda "o elevado nível etário dos funcionários".

Outra reivindicação dos sindicatos, é o pagamento imediato do trabalho suplementar, a reposição do pagamento a cem por cento do trabalho em dias de feriado e fim de semana, a contagem de todo o tempo de serviço para progressão na carreira, independentemente do tipo de contrato de trabalho, o pagamento do abono por falhas e a regulamentação dos fardamentos.

Se há um aumento dos visitantes e das receitas de bilheteira e das lojas, também há condições para melhorar muitos dos aspetos da situação dos trabalhadores”, defendeu Artur Sequeira.