Por: Redacção / IPL | 1- 9- 2011 11: 34
A Câmara Municipal de Montemor-o-Velho já conseguiu apurar que o pó que queimou uma criança, em Moinho da Mata, foi depositado
num terreno particular não licenciado para o efeito, avança a Lusa.
A 17 de Agosto, uma criança brincava de bicicleta
num terreno agrícola privado, quando entrou em contacto com resíduos não identificados, provocando-lhe
queimaduras de 2º e 3º grau.
A par da investigação, foi já concluído que o terreno está situado junto a duas
antigas pedreiras em fase de requalificação e a empresa que está a proceder ao aterro desses espaços com o depósito de inertes,
terá colocado os resíduos num terreno anexo «sem estar autorizada», conta o vereador da Protecção Civil da autarquia, Abel
Girão.
O material foi depositado no terreno que «não faz parte das pedreiras» e «é um terreno particular onde não
está autorizada a deposição de inertes». A empresa responsável pela requalificação das pedreiras «tem dois terrenos», mas
«o material não está em nenhum deles», acresentou Abel Girão.
O autarca informou que a natureza dos resíduos ainda
permanece desconhecida, como também a data em que foram depositados. Ainda estão a ser feitas as análises necessárias às amostras
do pó, para que se determine «se aquele material é tóxico ou não», disse.
A GNR já «adoptou medidas que considerou
suficientes para prevenir novos incidentes», delimitando a área com um talude de terra e uma fita plástica.
A Comissão
de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) revelou que foi anulado a uma empresa de Coimbra o alvará de 2009,
que permitia a realização de operações de gestão de resíduos e inertes, «por incumprimento das condições da licença», em Julho
de 2010.
A CCDR explicou que «só pode ser dada ordem de remoção» do material quando for resolvida uma acção que a
empresa interpôs em tribunal, contra a revogação da licença. No entanto a comissão admite remover o material do local, caso
fique provado que se tratam de resíduos perigosos.
A autarquia também «poderá» intervir, mas o vereador Abel Girão
afirmou esperar pelo resultado das análises antes de qualquer medida tomada pelo município.
O especialista em resíduos
da associação ambientalista Quercus, Rui Berkemeier, relembrou que o depósito ilegal de resíduos «é crime» e uma situação
«recorrente».
A criança de oito anos esteve internada oito dias, no Hospital Pediátrico de Coimbra, «com queimaduras
graves e profundas». Os familiares da criança contaram que «tem as pernas ligadas mas ainda tem medo de andar porque tem muitas
dores».
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