O desfile da coleção de Pedro Pedro para o próximo inverno, musicado ao vivo por Xiboni e Moullinex, encerrou este domingo, no Pátio da Galé, a 44.ª edição da ModaLisboa.

Para o próximo inverno, Pedro Pedro teve como materiais de eleição fazendas e malhas, e nas cores apostou no cinzento, preto e rosa velho em silhuetas longas.

A calma da apresentação de Pedro Pedro, que começou pelas 23:00, uma hora e meia depois do previsto, contrastou com a ‘performance’ que foi o desfile de Nuno Gama, o mais concorrido em termos público nos três dias desta edição.

Em «Lusíadas I» houve aves de rapina, um ator vestido como o poeta Luís Vaz de Camões – com pala no olho e tudo, e a habitual cruz de Cristo a adornar as peças de roupa.

No final, com os manequins todos na passerelle, cantou-se o Hino de Portugal, com parte da plateia de pé e mão no peito a acompanhar a voz que saía das colunas.

O último dia começou pelas 15:00 na Casa da Balança da Marinha Portuguesa com um desfile que serviu de lançamento de uma plataforma na qual «qualquer pessoa pode intervir».

Segundo Alfredo Orobio, da Awaytomars, «a ideia não é ser uma marca de moda», mas sim «possibilitar que todos experimentem o design».

«Toda a gente tem ótimas ideias, mas muitas ficam no papel. Com a plataforma damos ferramentas para poderem pô-las em prática», disse à Lusa no final do desfile/apresentação.

O trabalho que foi visto hoje na passerelle, essencialmente peças brancas, «telas em branco», e outras com um padrão «que é um resultado de todas as cores que existem», resultou do trabalho de «30 pessoas».

Com escritório em Lisboa e produção no Norte de Portugal, a Awaytomars é uma «comunidade internacional onde qualquer um pode participar», basta registar-se no site.

O coletivo Awaytomars partilhou a passerelle com Nair Xavier, que apresentou uma coleção que «busca o equilíbrio de proporções e a racionalidade de formas, influenciados esteticamente pelo filme ‘Bright Star’, de Jane Campion, que narra o romance de John Keats e Fanny Brawne durante a década de 1880».

Os desfiles passaram depois para o Pátio da Galé, onde arrancaram com «Darling» de Filipe Faísca, coleção cuja produção contou com a ajuda de nove meninas, com idades entre os seis e os 16 anos, oito delas em tratamento no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa.

Numa coleção onde o laranja e o azul foram cores dominantes, Filipe Faísca apresentou algumas peças em preto e branco, adornadas com desenhos feitos pelas crianças.

Seguiu-se o desfile da coleção «Liberdade nos 40 anos de Independência» da angolana Nadir Tati, na qual a designer de moda trabalhou o conceito de «diva, mulher africana e independente».

Já Kolovrat apresentou uma coleção na qual «as linhas clássicas são suavemente influenciadas por camadas artesanais que criam adornos lúdicos, usando escalas diferentes de modo a influenciar a forma, silhuetas e texturas que nos lembram as relações fascinantes de micro/macro».

Desta vez a Saymyname, de Catarina Sequeira, voltou a trabalhar malhas, «parte da identidade da marca», tal como as blusas grandes e largas, embora «os vestidos de corte justo ao corpo se tornem mais uma vez opção às peças ‘extra large’ [extra largas]».

A ModaLisboa regressa em outubro para a apresentação das coleções do verão de 2016.