A apresentação da coleção de Carlos Gil para o próximo inverno fechou o segundo dia de ModaLisboa, no Pátio da Galé, num dia em que a música ao vivo entrou na 'passerelle'.

Em «All In. The Lucky Game» [Todos dentro. O Jogo de Sorte], o criador do Fundão apostou numa «fusão de estilos e silhuetas, texturas e materiais», explicou o próprio.

O conceito de jogo esteve representado através símbolos dos naipes de cartas de jogar, estampados em tecidos, alguns deles tecnológicos, que foram «conjugados com matérias primas naturais», criando «uma figura arrojada e equilibrada para uma mulher audaz, que desafia a sua sorte todos os dias».

O segundo dia da 44.ª edição arrancou pelas 14:30 horas na Casa da Balança da Marinha Portuguesa, um local com vista para o Tejo e onde parte da 'passerelle' ficou ao ar livre, atraindo o olhar de quem passeava na Ribeira das Naus e parou por alguns minutos a ver o desfile de Valentim Quaresma.

A apresentação da coleção «Cinematic» teve direito a música ao vivo do projeto ((ASA)), de David Francisco e Melissa Veras, cujo álbum «Closer» será editado em abril.

A inspiração de «Cinematic» surge de «um processo criativo ligado ao cinema», explicou o 'designer' de jóias, e remete para o universo «A Guerra dos Tronos», a coleção de livros de George RR Martin adaptado a série televisiva.

Desta vez, Valentim Quaresma teve como materiais de eleição a alpaca, o latão, o alumínio e o cobre.

Perto das 16:00 horas houve mais música ao vivo na Praça do Município e fora do calendário da ModaLisboa. Por essa hora chegou àquele local o protesto pela conservação da Escola de Música do Conservatório Nacional. Um coro cantou «Acordai», de Fernando Lopes Graça, o hino de Portugal e uma canção de apelo à salvação daquela instituição de ensino.

Os restantes desfiles decorreram todos no Pátio da Galé, onde nesta edição a 'passerelle' forma um quadrado.

Quem também optou por musicar o desfile ao vivo, tal como tinha feito na última edição, foi Luís Carvalho.

Desta vez, o 'designer' de moda convidou Isaura, que cantou «Useless», o seu único single conhecido, coproduzido com Raez e Cut Slack.

Para o próximo inverno, Luís Carvalho apresentou uma coleção «estruturada, onde a leveza e a fluidez dos anos 30 ganham forma e contraste com a rigidez e estrutura dos materiais».

Nas cores, o jovem criador optou pelo preto, vários tons de verdes, bege e mostarda, que aplicou em fazendas, ‘jackard’, crepes e tricotados.

Dos anos 30 passou-se para os anos 70, com a coleção de Ricardo Preto, que poderia ter sido usada pela cantora norte-americana Janis Joplin, de cujo repertório o criador escolheu um tema para fechar o desfile onde se destacam as transparências, as aplicações em pelo e os cortes geométricos.

Já na coleção de Alexandra Moura, onde o branco e o preto foram as cores dominantes, destaque para as sobreposições, camadas, excessos e volumetrias que «criam uma nova silhueta e impacto visual que revela conforto e proteção».

Miguel Vieira apresentou uma coleção «minimalista e luxuosa, inspirada nos materiais utilizados, nos próprios tecidos e no seu processo de implementação», feita de muitos fatos, para eles, e vestidos, para elas, com tons entre o preto, o bege, o castanho e o bordeaux.

A coleção de Aleksandar Protic foi «um novo olhar para as várias obras de Georgia O’Keeffe [pintora norte-americana falecida em 1986]», o que resultou numa «combinação de formas geométricas, estruturadas e outras mais fluidas, drapeados».

Hoje foram ainda apresentadas as propostas para o próximo inverno do convidado desta edição, o polaco Dawid Tomaszewski.

A ModaLisboa termina no domingo.