Num ginásio de uma escola, cenário pouco habitual para desfiles de moda, Luís Buchinho arrancou quinta-feira o segundo dia do Portugal Fashion, jornada que juntou a revolução da natureza de Katty Xiomara à inspiração do Ballet de Pedro Pedro.

O 36.º Portugal Fashion - comemorativo dos 20 anos do evento - chegou quinta-feira ao Porto depois do arranque em Lisboa, e coube ao criador Luís Buchinho, presente desde a primeira edição em 1995, o desfile inaugural do dia, que aconteceu no ginásio da Escola Rodrigues de Freitas.

Em vez de aulas de educação física ou jogos das mais diversas modalidades, o ginásio recebeu as propostas para o próximo outono/inverno inspiradas em banda desenhada de Luís Buchinho - a celebrar 25 anos de carreira - que à agência Lusa disse que a coleção foi «muitíssimo bem recebida em Paris», onde fez a sua estreia.

«Todas estas inspirações têm a ver com o meu sabor do momento, e quando comecei a ter consciência de que iria passar por este período, voltei a ter vontade de fazer algumas ilustrações, e como tal a coleção teria que ter este tema, que me é muito querido e como tal quis que ele tivesse uma representação bastante forte naquilo que seria a comemoração dos 25 anos», justificou.

Os coordenados têm a marca da carreira do designer: representação muito forte das malhas, conjunto de cores que graficamente contam uma história e uma mistura de materiais.

«É uma coleção com tudo aquilo que eu já trabalhei, mas com uma perspetiva mais moderna, mais virada para aquilo que vem por aí ainda», disse, justificando a escolha do ginásio com o facto destas propostas terem «um universo desportivo muito presente».

Já no Palácio dos CTT - onde na última edição o Portugal Fashion já tinha estado - Katty Xiomara foi uma das criadoras presentes, explicando à agência Lusa que quis «estabelecer o equilíbrio entre a evolução da humanidade e a revolução que a natureza trava perante essa evolução», tendo esta coleção um «espírito verde e ao mesmo tempo militar».

«As cores são todas retiradas da natureza. Em termos de padrões também tentamos fundir estas duas coisas. Temos a ideia de camuflado misturado com rede e com folhagens estilizadas. Temos vários micro-padrões que tentam replicar o camuflado mas de uma forma mais urbana», descreveu.

Num desfile que se aliou a uma marca de telemóveis, algumas modelos apareceram com óculos de realidade virtual, sendo a coleção uma «mistura entre materiais extremamente pesados e extremamente leves».

«Há aqui um grande contraste porque a ideia é refletir esta preocupação com a natureza e por outro lado esta visão futurista quando falamos em evolução», disse Katty Xiomara, que neste momento exporta cerca de 80% da sua marca.

O segundo dia fechou com o desfile de Pedro Pedro, ausente da passerelle do Portugal Fashion desde 2007, que explicou à agência Lusa que sempre teve «uma ligação muito grande com o Portugal Fashion», aquela que foi a sua primeira casa.

«O Portugal Fashion tem tido um crescimento absolutamente incrível em termos de organização, em termos de ajuda aos designers. É uma plataforma muito importante para encontrar parcerias, para encontrar projetos futuros, oportunidades de negócio, feiras. A marca tem que sobreviver, sem o lado comercial é impossível continuar», justificou.

Apresentando uma coleção diferente daquela que levou à Moda Lisboa, apesar de manter algumas peças, Pedro Pedro revelou que se inspirou no Ballet.

«Muita coisa transparente e depois há um lado muito brutal e muito estruturado, que é o esforço, as posições antinatural, a dureza que é ser-se uma bailarina. Vais dos rosas pastéis ao preto, passando por verdes caqui», descreveu.

Esta sexta-feira, a moda toma conta do Palácio da Bolsa, no Porto, sendo o palco para o terceiro dia do Portugal Fashion, que apresenta as coleções de Miguel Vieira, Diogo Miranda, Meam by Ricardo Preto, Anabela Baldaque e Carlos Gil.

O terceiro dia do 36.º Portugal Fashion fecha com o criador Miguel Vieira, que propõe para a próxima estação fria uma «coleção minimalista e luxuosa», onde as peças «jogam com detalhes de décadas anteriores e detalhes desportivos», escolhendo tons de bege, castanho, azul e preto.

Esta é a estreia do Portugal Fashion no Palácio da Bolsa, numa edição onde dispersão do evento por vários edifícios da cidade continua a ser uma aposta.